O Fim do Trabalho ou o Trabalho sem Fim? Uma Análise Sócio-Crítica da Promessa Tecnológica de Libertação
- Dr° Adilson Reichert

- 27 de fev.
- 24 min de leitura
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Introdução: O Sonho Prometeico na Era dos Algoritmos
Em 1930, o economista John Maynard Keynes profetizou que, cem anos à frente, a jornada de trabalho semanal não passaria de quinze horas. A tecnologia teria nos libertado da necessidade, e o grande desafio da humanidade seria aprender a ocupar o tempo ocioso com dignidade e propósito. Quase um século depois, a profecia soa ao mesmo tempo ingênua e profética: ingênua porque trabalhamos tanto quanto antes — alguns, muito mais; profética porque, pela primeira vez na história, a perspectiva de um mundo sem trabalho obrigatório deixou o terreno da ficção científica para habitar o debate público sério.
Elon Musk, o Prometeu contemporâneo, declarou recentemente que em dez ou vinte anos ter emprego será opcional — um hobby, como jogar videogame ou cultivar uma horta. A inteligência artificial e a robótica, segundo ele, criarão tamanha abundância que milhões de robôs cuidarão de tudo para os humanos, sustentados por uma renda básica universal elevada . Jensen Huang, CEO da Nvidia, oferece uma visão diferente: a IA não eliminará o trabalho, mas o transformará profundamente, tornando-nos "mais ocupados do que agora" com novas ideias e projetos .
Este artigo propõe uma investigação exaustiva sobre a possibilidade — e as implicações — de um mundo sem trabalho nos moldes tradicionais. A partir de uma perspectiva integrativa que conjuga Neuropsicanálise, Terapia Cognitivo-Comportamental e Educação Social, articulada com o pensamento de Domenico De Masi, Franco "Bifo" Berardi, Günther Anders, Byung-Chul Han, Mario Sérgio Cortella e dados contemporâneos sobre o mundo do trabalho, exploraremos:
1. A promessa tecnológica: o que dizem os profetas da abundância e seus críticos.
2. O diagnóstico do presente: precarização, desemprego tecnológico e a "grande demissão" como sintomas de uma transição.
3. Os impactos psicológicos: quando a identidade deixar de ser forjada no trabalho, o que restará do eu?
4. A dimensão social: desigualdade, novo contrato social e as condições para que a libertação não seja privilégio de poucos.
5. Perspectivas integrativas: como a clínica pode preparar sujeitos para um mundo pós-trabalho.
6. Técnicas práticas: o que fazer, hoje, para não ser atropelado pela onda que vem.
A tese central é que o fim do trabalho como o conhecemos não é uma questão de "se", mas de "quando" e, sobretudo, "para quem". A tecnologia pode ser libertadora ou aprisionadora; o resultado dependerá das escolhas políticas, sociais e subjetivas que fizermos agora. E, como veremos, essas escolhas já estão sendo feitas — nem sempre por nós.
Parte I: A Promessa — O Trabalho como Opção
1.1 O Ócio Criativo de Domenico De Masi
Nenhum pensador dedicou tanta energia a imaginar um mundo pós-trabalho quanto o sociólogo italiano Domenico De Masi, falecido em 2023. Sua teoria do ócio criativo parte de uma premissa simples: a tecnologia não é um fim em si mesma; serve para que se viva melhor. "A tecnologia elimina cansaço e sofrimento", dizia ele. As novas tecnologias poderiam permitir a redução das horas trabalhadas, e o tempo livre deveria ser direcionado para atividades criativas, tendo a educação e a cultura como alvos principais .
Para De Masi, a sociedade pós-industrial valorizaria crescentemente o trabalho intelectual criativo — mesmo na indústria, a exigência seria por operários cada vez mais qualificados. A criatividade, portanto, se transformaria numa das principais características do ser humano e do profissional. E, para ser criativo, "é essencial o cruzamento entre racionalidade e emotividade" .
De Masi não era um ingênuo: sabia que o capitalismo resistiria à redução da jornada e à distribuição equitativa dos ganhos de produtividade. Mas acreditava que a pressão social, combinada com a evidência de que trabalhamos cada vez mais para produzir cada vez menos (em termos de esforço humano), acabaria por impor uma nova organização do tempo. Seu legado é a lembrança de que um outro mundo é possível — com menos ganância, sofrimento e tristeza, e mais inteligência criativa, arte, cultura e solidariedade .
1.2 A Visão dos Profetas da Abundância
Elon Musk representa a versão tecnolibertária dessa promessa. Segundo ele, em 10 a 20 anos, avanços em IA e robótica criarão "abundância sustentável": humanos vivendo de renda básica universal elevada, com amplo acesso a saúde, moradia, alimentação e transporte de qualidade. Trabalhar seria opcional — "provavelmente nenhum de nós terá trabalho", disse Musk recentemente .
A proposta de Musk, porém, levanta questões imediatas: abundância para quem? A história mostra que revoluções tecnológicas raramente distribuem os lucros de forma igual. Um estudo do FMI alerta que a IA pode aumentar o abismo entre países ricos e pobres, atraindo investimentos para os lugares já automatizados e deixando economias emergentes com perda de empregos onde mão de obra barata era a vantagem competitiva . Como resume Ali Gohar, executivo de tecnologia: "A maior divisão será entre aqueles que poderão se dar ao luxo de não trabalhar e os que não poderão" .
Jensen Huang, da Nvidia, oferece uma visão mais matizada. Para ele, a IA não eliminará o trabalho, mas o transformará profundamente. Em vez de lazer perpétuo, os ganhos de produtividade nos deixarão "mais ocupados do que agora", pois novas ideias e projetos surgirão para preencher nosso tempo . Esta visão — do trabalho aumentado pela IA — é a que prevalece no curto prazo, com projeções do Fórum Econômico Mundial estimando a criação de 170 milhões de novos empregos até 2030, contra a eliminação de 92 milhões — um saldo positivo de 78 milhões de vagas .
1.3 O Trabalho sem Empregos: A Revolução Silenciosa
O livro "Work Without Jobs", de Ravin Jesuthasan e John W. Boudreau, antecipa uma transformação ainda mais radical: as organizações devem abandonar o emprego como unidade central de gestão e passar a pensar o trabalho em termos de tarefas, competências e missões. Nessa acepção, o trabalhador deixa de ser definido pelo cargo e passa a ser reconhecido por suas capacidades, aprendizagens e contribuição em projetos dinâmicos .
O resultado é uma empresa que se comporta como um ecossistema vivo, onde o talento flui conforme as necessidades de mercado e a tecnologia é parceira, não substituta. Jesuthasan defende que a IA não destrói o futuro do trabalho; destrói as empresas, os gestores e os países que se recusam a mudar .
Esta visão, entretanto, carrega uma ambiguidade fundamental: trabalho sem empregos pode significar libertação das amarras burocráticas ou pode significar precarização absoluta, com trabalhadores reduzidos a "nós" de uma rede que os utiliza e descarta conforme a conveniência algorítmica. A diferença entre um ecossistema vivo e uma selva darwiniana é sutil, e depende de quem detém o poder de definir as regras.
Parte II: O Diagnóstico do Presente — A Crise Anunciada
2.1 A Grande Demissão e a Rejeição do Trabalho Formal
Enquanto os profetas discutem o futuro, o presente já dá sinais claros de transformação. O fenômeno da Grande Demissão — 4,5 milhões de trabalhadores que não voltaram ao trabalho após a pandemia nos EUA — tem paralelos no mundo inteiro. Na Inglaterra, 350 mil trabalhadores simplesmente desapareceram das estatísticas de emprego . Na Itália, os concursos públicos atraíram milhões de candidatos, revelando uma fuga em massa do setor privado precarizado .
No Brasil, a tendência é igualmente forte. Pesquisa do Datafolha realizada em 2022 e 2025 mostra que 59% dos brasileiros preferem o trabalho autônomo — índice que dispara entre os jovens de 16 a 24 anos . O sociólogo Estevam Dedalus analisa que essa mudança de mentalidade não é fruto do acaso, mas reflexo de um cenário que favorece a precarização do trabalho, a desmontagem dos direitos trabalhistas e o reforço de uma cultura que romantiza o esforço individual: "É uma espécie de sonho mágico de que empreender vai te dar um futuro" .
Para o sociólogo, o problema tem raízes profundas: de um lado, faltam empregos estáveis com perspectiva de crescimento, mesmo em um cenário de recordes de carteira assinada. Do outro, existe um apelo simbólico ao empreendimento como solução para as contradições do mercado e atalho para o sucesso — apelo amplificado por redes sociais onde empreendedores exibem rotinas de prosperidade e coaches ensinam como enriquecer em poucos passos .
2.2 A Ideologia do Autoempreendedorismo
Franco "Bifo" Berardi, filósofo italiano e ativista, oferece uma análise contundente desse fenômeno. Para ele, a ideologia de sermos free agents, autoempreendedores, foi muito forte na década de 1990, no período do surgimento das empresas ponto.com Esses trabalhadores, porém, acabaram proletarizados: perderam o controle do seu trabalho e de suas criações, subjugados pelas grandes empresas digitais que se formaram nesse período. No entanto, "a ideologia totalmente falsa do autoempreendedorismo continua vigente" .
A individualização da relação entre trabalhador e empresa, segundo Bifo, tem sido uma das armadilhas que permitiu ao capital maximizar lucros e reduzir salários. O trabalhador precário encontra-se numa situação persistente de concorrência, que desintegrou a solidariedade na frente de trabalho e estabeleceu as condições da escravidão high tech .
O problema é agravado pela dificuldade de identificar o inimigo. Bifo explica: "A burguesia era uma classe territorializada, especificamente identificável em seres humanos que podiam tomar decisões nas negociações com os sindicatos. Hoje é difícil identificar o capital tecnofinanceiro em termos territoriais ou pessoais. Não existe um inimigo específico, mas uma cadeia de abstrações que se pretendem naturais, inevitáveis" .
2.3 A Miragem da Liberdade
O jornalista e professor Paulo Silvestre adverte que muitos jovens estão perseguindo uma miragem: a de que ganharão muito dinheiro fazendo só o que gostam, trabalhando pouco em horários flexíveis, ganhando por "job" executado com o uso de IA e tecnologias digitais. Na visão desses jovens, a formalidade aprisiona, enquanto a tecnologia empodera — o que os leva a ignorar os riscos da precarização e da distorção da realidade .
Cresce um discurso nas redes sociais que desvaloriza o trabalho com carteira assinada, tratando-o como sinônimo de fracasso na carreira, condições ruins, ausência de flexibilidade e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional. Os jovens que estão ganhando algum dinheiro com esse tipo de trabalho não percebem que muitas empresas, que lucram com a ausência de vínculos trabalhistas, incentivam a demonização do trabalho formal — o que na prática leva à eliminação de direitos, à perda de salário fixo, de férias e de outras garantias, em troca de uma sensação de liberdade .
Silvestre alerta: "A sociedade paga um preço alto por essa nova realidade, pois sem trabalho digno com um mínimo de garantias, o consumo cai, a desigualdade aumenta e o tecido social se esgarça. O que parece moderno e eficiente pode, na verdade, nos empurrar de volta a um modelo de exploração disfarçada, agora com algoritmos no lugar de chefes" .
2.4 A Perspectiva dos Jovens: Testemunhos
A psicóloga Simone Platino, ouvida pelo jornal O Liberal, explica que muitos jovens cresceram vendo os pais trabalhar excessivamente e ganhar pouco. "Para eles, o modelo tradicional de trabalho representa uma vida sem liberdade, com pouco retorno financeiro e quase nenhum tempo livre — exatamente o que não querem" .
Platino ressalta que o empreendedorismo surge como símbolo de liberdade geográfica, financeira e de tempo. Porém, alerta para a romantização do modelo: "Na prática, o empreendedor geralmente trabalha muito mais do que oito horas por dia, ao contrário do que se vê nas redes sociais. Sucesso e liberdade exigem dedicação, disciplina, persistência e constância — palavras pouco comentadas online" .
Eduardo Henrique, motorista de aplicativo que nunca teve registro formal, oferece um contraponto interessante. Ele não tem interesse em retornar ao emprego formal: "Não me vejo nesse tipo de trabalho porque o salário é baixo e a jornada, cansativa demais". Sua renda pode chegar a R$ 5 mil mensais, e após custos com gasolina, sobram cerca de R$ 3 mil — valor superior ao salário mínimo e a muitos empregos formais .
Já Alanes Mota, de 20 anos, estudante de Publicidade, destaca outro aspecto: "O maior problema do trabalho formal é a escala. Não sobra tempo para lazer e o estresse acaba invadindo a vida pessoal". Ela pretende trabalhar por conta própria após se formar e chama atenção para a desigualdade entre patrões e empregados, com "o famoso 'exército de reserva' que mantém os empresários confortáveis, já que sempre há alguém para substituir o funcionário" .
Parte III: A Crítica Filosófica — Entre a Servidão High Tech e a Deserção
3.1 Günther Anders e a Obsolescência do Homem
O filósofo alemão Günther Anders, em sua obra monumental A Obsolescência do Homem, antecipou com décadas de antecedência os dilemas que hoje enfrentamos. Escrito entre as décadas de 1950 e 1970, o livro diagnostica a inversão fundamental da relação entre humanos e máquinas: o ser humano, que deveria ser o sujeito da história, torna-se objeto — uma peça obsoleta num sistema que já não precisa dele.
Anders analisa a obsolescência do trabalho a partir da automação das fábricas, que transforma o proletário de "trabalhador" em "pastor do objeto" — um guardião da máquina, cuja função é supervisioná-la, aguardando que "nada aconteça" . Do ponto de vista político-econômico, são necessários menos empregados para produzir mais; logo, a lógica de racionalização dos meios de produção não permite haver pleno emprego. A privação do trabalho e, posteriormente, do emprego, não é um fato político, mas um efeito da constante revolução tecnológica — a única, segundo Anders, que acontece independentemente dos sistemas políticos .
Mais preocupante ainda é a análise da obsolescência das máquinas e sua vocação totalitária. Anders descreve como os microaparelhos se subjugam a um macroaparelho regulador, com vistas ao perfeito funcionamento. Quanto maior a máquina, maior o perigo de um colapso — e maior a necessidade de um planejamento, de um "doseamento da magnitude". Este doseamento, para Anders, é uma tarefa política inescapável .
No limite, porém, o problema não admite resposta unívoca, pois já não dispomos livremente da técnica. O maior perigo não é a má utilização, mas a própria essência dominadora e totalitária da técnica: "resulta difícil responder à pergunta sobre onde é que terá de cessar o sim à técnica e onde é que terá de começar o não, pois esta converte-se numa ameaça não só onde se converte na técnica da ameaça" .
3.2 Bifo e a Deserção como Estratégia
Diante desse quadro, Franco Berardi propõe uma saída radical: desertar. "Desertar do trabalho, do consumo, da política institucional, da guerra, da procriação" .
Mas o que significa desertar do trabalho quando precisamos dele para sobreviver? Bifo recorre à história: nas grandes fábricas italianas dos anos 1970, a "rejeição do trabalho" circulava abertamente entre jovens migrantes do sul. Paralisação das linhas de montagem, sabotagem e greves selvagens eram comuns na Fiat, na Alfa Romeo. Hoje, não há nada semelhante. A rejeição não é efeito de energia coletiva consciente, mas de uma deserção passiva, de um sentimento de esgotamento .
O fenômeno da Grande Demissão, para Bifo, é uma manifestação de cansaço físico e mental de dimensões gigantescas. 350 mil trabalhadores ingleses que não voltaram ao trabalho após a pandemia, 4,5 milhões de americanos que pediram demissão — são sintomas de que algo fundamental mudou na relação subjetiva com o trabalho .
Bifo responde ao debate entre Byung-Chul Han e Toni Negri: enquanto Negri confia na "multidão" capaz de derrubar o império, Han acredita que nenhuma revolução é possível hoje — os trabalhadores são empreendedores de si mesmos, autoexplorados, exaustos, deprimidos, isolados. Bifo se posiciona: "Não me interesso muito pela retórica negriana, me parece um pouco falsa e antiga. O discurso de Byung-Chul Han parece-me uma reproposição tardia das intuições de Baudrillard. O problema é como se pode alcançar alguma autonomia relativamente à atual forma de capitalismo tecnofinanceiro e tecnomilitar. Minha resposta é: deserção" .
3.3 Byung-Chul Han e a Sociedade do Cansaço
O filósofo coreano-alemão Byung-Chul Han oferece um diagnóstico preciso do sofrimento contemporâneo. Em Sociedade do Cansaço, ele descreve a transição da sociedade disciplinar (Foucault) para a sociedade do desempenho: não somos mais sujeitados por instituições externas, mas nos autoexploramos voluntariamente, impelidos pelo imperativo de otimização permanente.
O trabalhador de hoje é empreendedor de si mesmo — e, como tal, carrega sozinho o peso do fracasso. Não há patrão a culpar, não há sistema a denunciar; há apenas a própria insuficiência. O resultado é a depressão, o burnout, a exaustão.
Na polêmica com Negri, Han afirma que nenhuma revolução é possível hoje porque não há exterioridade: o capital tornou-se imanente à subjetividade. Somos ao mesmo tempo exploradores e explorados, senhores e servos de nós mesmos. A saída, para Han, não está na ação coletiva tradicional, mas numa mudança de paradigma existencial — no cultivo de uma vida contemplativa, na redescoberta do ócio como espaço de liberdade.
3.4 Mario Sérgio Cortella e o Legado da Tecnologia
O filósofo brasileiro Mario Sérgio Cortella, em aula inaugural do Filosofia da Tecnologia promovido pelo Instituto Itaqui, trouxe uma perspectiva que articula passado e presente. Fazendo um paralelo entre o Papa Leão XIII (que enfrentou a Revolução Industrial) e o Papa Leão XIV (que enfrenta a revolução da IA), Cortella lembrou que o primeiro inaugurou uma doutrina social na igreja, defendendo a regulação da jornada de trabalho e, em parte, o voto feminino .
"Esse Papa sabia que nem o socialismo e nem o capitalismo, organizado daquele modo, iam resolver o mundo, já que as pessoas eram controladas pelas máquinas. E temos que pensar o quanto isso ainda não acontece" .
Para Cortella, pensar a tecnologia exige que a sociedade — e especialmente seus líderes — olhem para o lugar que esta tem ocupado no dia a dia e no imaginário coletivo. Em vez de deslumbramento com seus feitos, é preciso colocar novamente a ferramenta enquanto servidora da humanidade.
"Se tivermos uma tecnologia que seja privilegiadora em vez de partilhadora, o futuro que está a ser pensado até vai dar certo, mas qual o legado que estamos construindo com ele?", provocou .
Cortella lembra que "evolução" não significa necessariamente melhora, mas mudança. A IA, obra do ser humano, pode ser redentora ou aterradora. "A ideia da máquina enquanto ameaça sempre existiu, mas agora nós temos algo a mais que é: isso pode sair do nosso controle e afetar as nossas comunidades" .
Citando Pierre Dac, o filósofo lembrou que as decisões tomadas agora são o legado para as futuras gerações — e que o futuro é, na verdade, "o passado em preparação". E concluiu com Paulo Freire: "Se eu não fizer hoje aquilo que hoje pode ser feito e tentar fazer hoje aquilo que hoje não pode ser feito, dificilmente eu faço amanhã aquilo que hoje não pude fazer" .
Parte IV: Impactos Psicológicos — Quando a Identidade se Desvincula do Trabalho
4.1 A Centralidade do Trabalho na Constituição do Sujeito
Para compreender os impactos psicológicos de um mundo sem trabalho, é necessário recuar e examinar o lugar que o trabalho ocupa na constituição da subjetividade moderna. Como vimos em artigos anteriores, a profissão não é apenas uma fonte de renda — é um elemento estruturante da identidade, um organizador do psiquismo que confere coerência, continuidade e pertencimento.
O trabalho responde a necessidades fundamentais:
- Estruturação do tempo: a jornada organiza o dia, a semana, o ano, a vida.
- Vínculo social: o ambiente de trabalho é uma das principais fontes de sociabilidade extrafamiliar.
- Sentido de contribuição: produzir algo que os outros reconhecem como valioso alimenta a autoestima.
- Status e reconhecimento: a profissão é um dos principais marcadores de posição social.
- Identidade: "sou médico", "sou professora" — a profissão nomeia o eu.
O que acontece quando essa âncora desaparece?
4.2 O Vazio Existencial e a Angústia da Liberdade
A perspectiva neuropsicanalítica oferece uma leitura: o trabalho, como qualquer investimento libidinal consistente, organiza o desejo. Ele canaliza energias, oferece metas, estrutura a relação com o outro. Sem ele, o sujeito pode ser tomado por uma angústia difusa — aquela mesma que Sartre descreveu como a consciência da liberdade radical, mas agora sem os anteparos que a tornavam suportável.
A pergunta "quem sou eu quando não trabalho?" pode tornar-se aterradora para quem sempre se definiu pela função. O sujeito descobre-se nu diante de si mesmo — e nem sempre gosta do que vê.
A TCC, por sua vez, identifica padrões de pensamento disfuncionais associados à perda do trabalho:
- Catastrofização: "Minha vida acabou; nunca mais terei valor."
- Desqualificação do positivo: "Qualquer atividade que eu faça fora do trabalho é irrelevante."
- Rotulação global: "Sou um inútil, um fracassado."
4.3 O Tédio e a Depressão
Um dos riscos mais mencionados por críticos do fim do trabalho é a geração de inúteis — nas palavras do historiador Yuval Harari — ou uma sociedade de entediados crônicos . A preocupação tem fundamento: a história da psiquiatria registra o "tédio dos domingos" como fenômeno clínico, e a ociosidade forçada é reconhecidamente um fator de risco para depressão e ansiedade.
O problema, porém, não está na ociosidade em si, mas na incapacidade de ocupar o ócio com sentido. Domenico De Masi insistia nesse ponto: o ócio criativo não é não fazer nada; é fazer o que se escolhe, com paixão e envolvimento. Para isso, porém, é necessário ter recursos internos — interesses, curiosidade, capacidade de se engajar — e recursos externos — acesso a cultura, educação, espaços de convivência.
4.4 A Síndrome do Impostor às Avessas
Curiosamente, o fim do trabalho obrigatório poderia produzir um fenômeno oposto ao que conhecemos hoje. Se atualmente muitos competentes sofrem da síndrome do impostor (acham que não merecem seu sucesso), num mundo sem trabalho poderíamos ver a síndrome do impostor às avessas: pessoas que não conseguem justificar seu lugar no mundo, que se sentem fraudulentas por existirem sem produzir.
O sociólogo Estevam Dedalus lembra que o problema não está na CLT em si, mas na correlação equivocada entre CLT e subemprego, em razão dos baixos salários praticados no mercado brasileiro. "Basta analisar o custo de vida. Quando é que você, com R$ 1,8 mil e filhos, consegue pagar aluguel, água, energia, telefone, alimentação e transporte? A situação fica muito complicada" . Se o salário não cobre nem o básico e o esforço consome a vida inteira, o "plano B" vira uma saída para quem deseja trilhar outro caminho.
Mas a saída individual não resolve o problema coletivo. A questão que fica é: como garantir que todos tenham acesso não apenas a renda, mas a sentido?
Parte V: A Dimensão Social — Desigualdade e Novo Contrato
5.1 Abundância para Quem?
A pergunta mais incômoda diante das previsões de Musk é também a mais óbvia: abundância para quem? A história do capitalismo é a história da concentração dos ganhos de produtividade nas mãos de poucos. Não há razão para supor que a revolução da IA será diferente.
Um estudo do FMI alerta que a IA pode aumentar o abismo entre países ricos e pobres, atraindo investimentos para os lugares já automatizados e deixando economias emergentes com perda de empregos onde mão de obra barata era a vantagem competitiva . No Brasil, o sociólogo Estevam Dedalus aponta que a desindustrialização e a falta de investimento em educação e tecnologia tornam o país particularmente vulnerável: "A tendência é que a gente aumente o número de desempregados e o país continue relativamente pobre, sem grandes oportunidades" .
O exemplo da Suíça contrasta com a realidade brasileira: lá, um garçom ganha cerca de cinco mil euros porque o sistema produtivo é sofisticado, elevando o salário médio e, consequentemente, a renda até mesmo nos serviços mais básicos. Aqui, com economia desindustrializada baseada na exportação de matérias-primas, o setor de serviços mantém-se barato .
5.2 Renda Básica Universal: Solução ou Paliativo?
A renda básica universal (RBU) é a proposta mais frequentemente associada ao fim do trabalho. A ideia é simples: garantir a todos os cidadãos um rendimento mínimo, independentemente de sua ocupação, financiado pelos ganhos de produtividade da automação.
Entusiastas apontam benefícios:
- Eliminação da pobreza extrema.
- Liberdade para escolher ocupações não remuneradas (cuidado, arte, ativismo).
- Poder de barganha para trabalhadores, que podem recusar empregos degradantes.
- Estímulo ao empreendedorismo e à criatividade.
Críticos, porém, levantam questões:
- Custo fiscal: seria necessário um enorme esforço de redistribuição, com aumento de impostos sobre os setores mais produtivos.
- Efeitos psicológicos: a renda básica não resolve a perda de dignidade e propósito atrelados ao trabalho .
- Risco de inflação: se todos têm mais dinheiro sem aumento da produção, os preços podem subir, anulando o ganho real.
Além da RBU, outras propostas começam a ganhar tração, como a taxação de robôs em substituição à mão de obra humana, a criação de fundos públicos com participação cidadã em empresas altamente automatizadas e o reconhecimento econômico de atividades sociais e de cuidado que são, hoje, invisíveis no PIB . Nenhuma dessas soluções é simples ou isolada, mas todas respondem à mesma urgência: encontrar novas formas de sustentar a dignidade quando o emprego tradicional deixar de ser o centro da vida econômica.
5.3 O Papel do Estado e das Instituições
A transformação do trabalho exige respostas institucionais robustas. O advogado trabalhista Rafael Lauria defende que o caminho não é abandonar a CLT, e sim adaptá-la aos novos tempos: "O desafio do nosso tempo não é extinguir a CLT, mas atualizá-la e conciliá-la com modelos híbridos que valorizem tanto a inovação quanto a dignidade humana" .
Para Lauria, algumas profissões continuarão essenciais: cuidadores de idosos, professores, mentores, pedagogos e educadores sociais exercem funções que exigem habilidades humanas, como empatia e gestão emocional, e dificilmente serão substituídas por tecnologia. Cargos voltados à liderança e à tomada de decisões estratégicas também permanecerão relevantes. Serviços repetitivos tendem a desaparecer, mas quem desenvolve soft skills — como inteligência emocional — terá mais chances de se manter no mercado .
5.4 A Geopolítica da IA
Do ponto de vista geopolítico, a inteligência artificial é hoje o epicentro da disputa entre China, Estados Unidos e Europa. A China aposta na integração vertical entre dados, indústria e Estado, transformando a IA em instrumento de planejamento econômico e controle social. Os Estados Unidos seguem o caminho da liderança privada, onde gigantes tecnológicos moldam o ritmo da inovação global com o apoio do capital de risco. A Europa, presa entre a necessidade de competir e o imperativo ético de regular, arrisca perder relevância se não transformar sua prudência em estratégia .
O eixo da IA é mais do que uma corrida tecnológica: é um novo tabuleiro de poder que definirá quem controla o valor, a segurança e a soberania digital nas próximas décadas.
Parte VI: Perspectivas Integrativas — Preparando-se para o Mundo Pós-Trabalho
6.1 A Contribuição da Neuropsicanálise: Escavando o Desejo para Além do Trabalho
A abordagem neuropsicanalítica pode ajudar os sujeitos a se prepararem para um mundo onde o trabalho não será mais o organizador central da existência. Isso implica:
1. Desidentificação: investigar como a identidade profissional se formou, que fantasias a sustentam, que outras dimensões do eu foram sacrificadas em nome da carreira.
2. Elaboração do luto: para muitos, a perda do trabalho (real ou antecipada) será uma experiência de luto — pela identidade, pelo status, pela rotina, pelos vínculos. Acolher esse luto sem patologizá-lo é fundamental.
3. Reinvestimento libidinal: ajudar o sujeito a descobrir (ou redescobrir) fontes de prazer e sentido fora do trabalho — relações, hobbies, engajamento comunitário, espiritualidade.
4. Tolerância à angústia: o vazio deixado pelo trabalho pode ser aterrador. A clínica pode ajudar a construir recursos internos para habitar esse vazio sem desespero.
6.2 A Contribuição da TCC: Reestruturando Crenças e Construindo Competências
A TCC oferece ferramentas práticas para navegar a transição:
1. Reestruturação cognitiva: identificar e modificar crenças disfuncionais sobre trabalho e identidade ("se não trabalho, não valho nada"; "meu valor é meu salário").
2. Desenvolvimento de habilidades: competências como adaptabilidade, aprendizagem contínua, inteligência emocional e capacidade de colaboração serão cada vez mais valiosas.
3. Planejamento de carreira flexível: em vez de uma trajetória linear, o sujeito aprende a pensar em termos de portfólio de competências e projetos.
4. Prevenção do burnout: a tendência ao polyworking (múltiplos trabalhos simultâneos) entre jovens exige cuidado: "correr várias trilhas ao mesmo tempo pode até dar autonomia, mas aumenta o risco de tropeçar no próprio excesso — então cuidado, pois burnout é uma cilada bem 2020's".
6.3 A Contribuição da Educação Social: Reconstruindo o Tecido Comunitário
A Educação Social nos lembra que a transição não pode ser apenas individual — ela exige respostas coletivas:
1. Espaços de convivência não laborais: à medida que o trabalho deixa de ser o principal espaço de sociabilidade, é preciso criar (ou fortalecer) outros — associações de bairro, grupos de interesse, comunidades de prática.
2. Valorização do cuidado: atividades de cuidado (de crianças, idosos, doentes) são essenciais e permanecerão humanas. Reconhecê-las econômica e socialmente é urgente .
3. Alfabetização crítica para a tecnologia: capacitar cidadãos para compreender os algoritmos que governam suas vidas, identificar vieses, reconhecer manipulação e exigir transparência.
4. Participação política: a definição do futuro do trabalho não pode ser deixada apenas a bilionários da tecnologia e burocratas de organismos internacionais. É preciso que trabalhadores, desempregados e futuras gerações tenham voz nas decisões que afetarão suas vidas.
Parte VII: Técnicas Práticas — O Que Fazer, Hoje, para Não Ser Atropelado
7.1 Para Jovens (20-30 anos)
1. Cultive a adaptabilidade: carreira linear é coisa do passado. Esteja aberto a múltiplas possibilidades, aprenda a aprender rápido, desenvolva um repertório diversificado de competências .
2. Cuidado com a romantização do empreendedorismo: sucesso e liberdade exigem dedicação, disciplina, persistência e constância — palavras pouco comentadas online . Não troque a segurança ilusória da CLT pela insegurança real da informalidade sem planejamento.
3. Gerencie o polyworking: ter múltiplos trabalhos pode dar autonomia, mas cuidado com o burnout. Estabeleça limites, proteja seu tempo de descanso, monitore sinais de exaustão .
4. Invista em soft skills: empatia, inteligência emocional, capacidade de colaboração e comunicação — habilidades que máquinas não replicam facilmente .
7.2 Para Profissionais no Meio da Carreira (40-50 anos)
1. Reinvente-se sem medo: a atualização constante já não é opcional; é questão de sobrevivência profissional. Misture experiência com ousadia de iniciante .
2. Planeje financeiramente a transição: mudar de área, se requalificar ou desacelerar para adquirir novas competências pode significar instabilidade temporária. Tenha clareza sobre esse impacto, revise o orçamento, construa uma reserva direcionada .
3. Mentoreie os mais jovens: sua experiência é valiosa. Compartilhe conhecimento, construa pontes intergeracionais, posicione-se como referência em sua área.
4. Desenvolva atividades extracarreira: invista em hobbies, relações, engajamento comunitário. Quanto mais fontes de sentido você tiver, menos vulnerável será às oscilações do mercado.
7.3 Para Organizações
1. Abandone o emprego como unidade central: comece a pensar o trabalho em termos de tarefas, competências e missões .
2. Invista em requalificação: programas de reskilling e upskilling precisam deixar de ser iniciativas pontuais para se tornarem parte central do planejamento de negócios .
3. Estabeleça parcerias com instituições de ensino: não dá para fazer isso sozinho. Empresas precisam se juntar a universidades, hubs de tecnologia e poder público para ampliar o acesso à capacitação de qualidade .
4. Repense a distribuição de valor: empresas que transformarem eficiência em valor partilhado — com remunerações ligadas a resultados sustentáveis, participação nos lucros e investimento em competências — serão as novas líderes .
7.4 Para a Sociedade
1. Debata a renda básica universal: é hora de tirar a proposta do terreno da utopia e começar a discutir desenho, financiamento e implementação.
2. Regule a tecnologia: a inovação deve servir às pessoas, e não o contrário. É inaceitável que a tecnologia seja usada para burlar responsabilidades sociais .
3. Invista em educação pública de qualidade: "Em um país como o nosso, que caminha para um processo de desindustrialização, sem investimento em Educação e tecnologia, é impossível a geração de empregos de qualidade" .
4. Crie espaços de convivência não laborais: bibliotecas, centros culturais, praças, associações — lugares onde as pessoas possam se encontrar, trocar, criar, independentemente de sua ocupação.
Conclusão: Entre a Servidão e a Libertação — O Futuro como Escolha
O fim do trabalho como o conhecemos não é uma profecia distópica nem uma promessa utópica. É uma possibilidade real — e, como toda possibilidade, carrega em si tanto o risco da barbárie quanto a chance da libertação.
O caminho para a barbárie é conhecido: automação selvagem, concentração de renda, precarização generalizada, uma sociedade de "inúteis" excluídos do circuito do valor, alimentados por uma renda básica miserável e anestesiados por entretenimento digital — o mundo de Idiocracy que Ali Gohar e Yuval Harari temem .
O caminho para a libertação é mais difícil, mas não impossível: distribuição equitativa dos ganhos de produtividade, redução da jornada de trabalho sem redução de salários, valorização das atividades criativas e de cuidado, redescoberta do ócio como espaço de desenvolvimento humano, reconstrução de comunidades não baseadas no trabalho.
A tecnologia, por si só, não escolhe nenhum dos caminhos. Como lembra Cortella, ela é obra humana — e, como tal, pode ser redentora ou aterradora . A diferença estará nas escolhas que fizermos: como sociedade, como organizações, como sujeitos.
Para Bifo, a resposta é a deserção — não como fuga, mas como recusa ativa de participar de um jogo cujas regras nos são impostas. Desertar do trabalho alienado, do consumo compulsivo, da política institucional capturada, da guerra, da reprodução acrítica do mesmo .
Para Anders, a resposta é o doseamento — o planejamento consciente da magnitude das máquinas, a regulação política da técnica, a recusa a aceitar como "naturais" e "inevitáveis" os efeitos da revolução tecnológica .
Para De Masi, a resposta é o ócio criativo — a aposta na capacidade humana de transformar tempo livre em tempo de criação, de aprender, de se conectar, de dar sentido .
Para Cortella, a resposta é a pergunta pelo legado: "Se tivermos uma tecnologia que seja privilegiadora em vez de partilhadora, o futuro que está a ser pensado até vai dar certo, mas qual o legado que estamos construindo com ele?" .
O futuro não está escrito. Está sendo escrito agora, nas decisões de bilionários e burocratas, mas também nas escolhas cotidianas de cada um de nós. Na recusa a aceitar como natural o que é político. Na exigência de que a inovação sirva a todos, não apenas a poucos. Na construção de outras formas de vida, outros modos de pertencimento, outras fontes de sentido.
O trabalho como o conhecemos pode estar com os dias contados. Mas o ser humano — esse animal que inventou deuses, cidades, sinfonias e teorias — certamente encontrará outras formas de ocupar o tempo, de criar laços, de dar sentido à existência. A questão é se permitiremos que essa busca seja privilégio de poucos ou direito de todos.
Mensagem Final do Dr. Adilson Reichert
Ao longo deste artigo, percorremos um território vasto e incerto. Das profecias de Keynes às previsões de Musk, das análises de Anders aos alertas de Bifo, dos testemunhos de jovens brasileiros às reflexões de Cortella — uma verdade emerge com clareza: o mundo do trabalho está mudando mais rápido do que nossa capacidade de compreender e, sobretudo, de adaptar nossas instituições e nossa subjetividade.
Como psicoterapeuta, vejo diariamente os efeitos dessa transformação. O jovem que não sabe se deve investir anos em uma formação que pode se tornar obsoleta. O profissional de meia-idade que sente o chão desaparecer sob seus pés. A executiva que, mesmo no auge da carreira, se pergunta se todo o esforço valeu a pena. O aposentado que, ao deixar o trabalho, descobre que não sabe mais quem é.
Como Neuropsicanalista, sei que a identidade forjada no trabalho é uma das mais poderosas organizadoras do psiquismo — e que sua desestruturação pode produzir sofrimento profundo. Mas também sei que o psiquismo humano é plástico, criativo, capaz de se reinventar. O trabalho de elaboração — de lutos, de descobertas, de novos investimentos — é possível e necessário.
Como Terapeuta Cognitivo-Comportamental, ofereço ferramentas para que meus pacientes possam navegar essa transição com menos ansiedade e mais clareza. Para identificar crenças disfuncionais sobre trabalho e valor pessoal. Para desenvolver habilidades de adaptação e aprendizagem contínua. Para construir planos realistas que considerem tanto os riscos quanto as oportunidades.
Como Educador Social, lembro que nenhuma transformação dessa magnitude pode ser enfrentada apenas individualmente. Precisamos de respostas coletivas: políticas públicas robustas, redes de solidariedade, espaços de convivência e criação que não dependam do trabalho para existir. Precisamos, sobretudo, de diálogo — entre gerações, entre setores, entre visões de mundo — para que as escolhas que faremos não sejam apenas as dos mais poderosos.
Na NeuropsiOnline, acreditamos que a mudança acontece quando nos permitimos olhar para o futuro sem medo, mas também sem ingenuidade. Quando reconhecemos os riscos sem nos paralisar por eles. Quando nos preparamos para o que vem sem esquecer de viver o presente.
Se você sente que o chão do trabalho está se movendo sob seus pés, se as certezas de ontem já não sustentam as decisões de amanhã, se quer construir uma relação mais livre e consciente com sua atividade — saiba que não precisa fazer essa jornada sozinho.
O convite está feito. O futuro é agora. E ele será o que fizermos dele.
Um abraço,
Dr. Adilson Reichert
Neuropsicanalista Clínico, Terapeuta Cognitivo-Comportamental e Educador Social.
NeuropsiOnline. Onde a mudança acontece.
Referências
- Anders, G. (2019). A obsolescência do trabalho; A obsolescência das máquinas; A obsolescência da história. In Mendes, J.R. & Sylla, B.J. (Orgs.), Tecnofilosofia líquida: Anders, Blumenberg e Sloterdijk. Braga: Centro de Ética, Política e Sociedade .
- Berardi, F. "Bifo". (2023). Contra a servidão high tech, desertar do trabalho. Trópico em Movimento .
- Breternitz, V.J. (2025). A fuga do trabalho formal – uma miragem. Jornal Empresas & Negócios .
- Cortella, M.S. (2025). "Se a tecnologia for privilegiadora em vez de partilhadora, o futuro vai dar certo, mas qual o legado?". IT Forum .
- De Masi, D. (2023). O Adeus a Domenico de Masi – o defensor do ócio criativo. Metalúrgicos do ABC .
- Dedalus, E. (2025). CLT perde espaço para o trabalho autônomo. A União .
- Jesuthasan, R. & Boudreau, J.W. (2023). Work Without Jobs. Apud ECO .
- Lauria, R. (2025). Tendência anti-CLT estimula o trabalho autônomo entre jovens. O Liberal .
- Melo, A. (2025). Trabalho opcional: liberdade de escolha ou privilégio de poucos? Você RH .
- Platino, S. (2025). Tendência anti-CLT estimula o trabalho autônomo entre jovens. O Liberal .
- Silvestre, P. (2025). Apud Breternitz, V.J. .
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