O Espectro do Prazer Proibido: Uma Jornada pela Perversão, da Estrutura Clínica ao Sadismo Cotidiano
- Dr° Adilson Reichert

- 17 de jul
- 13 min de leitura
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Como a satisfação com a desgraça alheia revela o perverso que habita em cada um de nós — e por que a psicanálise nos convida a olhar para esse espelho sem medo
Ela chegou ao consultório com um sorriso discreto, mas os olhos denunciavam algo mais. "Doutor, você não vai acreditar. Aquele meu ex-chefe, que me humilhou por anos, foi demitido ontem. Pegaram ele desviando dinheiro. Eu sei que não deveria sentir isso, mas... eu senti um prazer imenso. Fiquei o dia inteiro sorrindo. É errado sentir isso?".
Olhei para ela e respondi, com a honestidade que a clínica exige: "Não é errado. É humano. Você acabou de tocar em uma das dimensões mais antigas e mais negadas da psique: o prazer que sentimos quando um desafeto é prejudicado, quando a justiça (mesmo que cruel) acontece, quando o outro que nos feriu é, finalmente, ferido. Esse prazer, que vai além do simples alívio, é um convite para olharmos para o que a psicanálise chama de perversão — não como um diagnóstico de monstro, mas como uma possibilidade humana que todos carregamos, em maior ou menor grau.".
A palavra perversão evoca imagens de crueldade extrema, de seres desprovidos de moral, de algo irremediavelmente ruim. Mas a psicanálise, desde Freud, nos convida a um olhar mais complexo. A perversão não é o oposto da sanidade, nem um atributo de vilões de novela. Ela é uma estrutura psíquica — uma das três grandes formas de organização da subjetividade, ao lado da neurose e da psicose. E, como toda estrutura, ela se manifesta em graus variados, desde o sadismo sutil do dia a dia até as formas mais extremas de crueldade.
Este artigo é uma travessia por esse território fascinante e muitas vezes temido. Com a bússola da psicanálise (Freud, Lacan), da filosofia e da psicologia social, exploraremos:
O que a perversão realmente é — e por que a definição popular está equivocada.
Por que é tão raro um perverso buscar a clínica — e, quando busca, o que ele realmente quer.
Por que a perversão, em sua forma mais branda, é uma dimensão universal da experiência humana — o prazer com o sofrimento alheio, a satisfação na desgraça do outro.
Os tipos e subtipos da perversão: sadismo, masoquismo, fetichismo, voyeurismo e exibicionismo.
Por que a palavra "perversão" carrega um estigma tão pesado — e o que isso revela sobre nossa própria relação com o prazer e a moral.
Dialogaremos com Sigmund Freud (o perverso polimorfo infantil e a renegação da castração), Jacques Lacan (a perversão como gozo do Outro e a estrutura do discurso), Marquês de Sade (o filósofo da crueldade), Michel Foucault (a invenção da perversão como categoria), e a psicologia social contemporânea (o sadismo cotidiano e o prazer com o sofrimento alheio).
Ao final, compreenderemos que a perversão não é uma alteridade monstruosa, mas um espelho — um espelho que reflete o que há de mais sombrio e, ao mesmo tempo, mais humano em nós. E que, ao invés de negar esse espelho, a psicoterapia nos convida a olhar para ele — não para nos condenarmos, mas para nos conhecermos mais profundamente.
Parte I: A Perversão — Uma Questão de Estrutura, não de Moral
1.1 A Definição Psicanalítica: Mais que um Desvio
A palavra "perversão" vem do latim pervertere, que significa "virar para o lado errado", "desviar". Historicamente, foi usada para designar tudo o que se desviava da norma sexual e moral estabelecida pela sociedade. Mas a psicanálise, com Freud, deu a esse termo uma dignidade teórica que vai muito além do julgamento moral.
Para Freud, a perversão não é uma simples "anomalia" ou "doença". É o resultado de uma organização pulsional específica, onde a sexualidade infantil — que ele chamou de "perverso polimorfa" — não foi devidamente submetida ao recalque e à sublimação. Em outras palavras: todos nós nascemos com uma sexualidade que não se fixa em um único objeto ou finalidade. A criança sente prazer em múltiplas zonas erógenas, em múltiplos objetos, sem a "culpa" ou a "vergonha" que a cultura adulta impõe. A perversão, nesse sentido, é uma fixação nessa sexualidade infantil — uma recusa em abandonar certas formas de prazer que a sociedade considera "impróprias".
Mas a psicanálise foi além. Jacques Lacan, retomando Freud, definiu a perversão como uma das três estruturas clínicas fundamentais, ao lado da neurose e da psicose. Não se trata de um "desvio" ou de um "comportamento anormal"; trata-se de uma posição subjetiva — uma maneira específica de o sujeito se relacionar com a Lei, com o desejo e com o gozo.
1.2 A Estrutura Perversa: Gozar Através do Outro
Para Lacan, a diferença entre neurose, psicose e perversão não está no comportamento, mas na relação com a castração — a aceitação ou recusa da falta que constitui o desejo.
Na neurose, o sujeito recalca a castração. Ele reconhece a falta, mas luta contra ela. Sua pergunta fundamental é: "O que o Outro quer de mim?".
Na psicose, o sujeito foraclude (expulsa) a castração. A falta não é inscrita no simbólico, e retorna no real como alucinação ou delírio.
Na perversão, o sujeito desmente a castração. Ele sabe que a falta existe, mas age como se ela não existisse.
O perverso, nesse sentido, não é um "transgressor" que desafia a lei. Pelo contrário: ele precisa da lei para existir. Seu ato não visa ultrapassar o limite, mas tensioná-lo, forçá-lo, demonstrar sua arbitrariedade. O perverso quer mostrar que a lei é, no fundo, uma farsa — que o que realmente importa é o gozo.
E o gozo, na perversão, passa pelo Outro. O perverso não goza sozinho; ele goza através do Outro. Ele precisa que o Outro sofra, que o Outro se submeta, que o Outro reconheça seu poder. Como escreve um analista, "o perverso se faz instrumento do gozo do Outro". Ele não está simplesmente satisfazendo um desejo; está encenando um drama onde o Outro é a vítima necessária.
Parte II: Por que o Perverso Não Busca a Clínica — e Quando Busca, o que Quer
2.1 O Mito do Perverso que Não Sofre
Um dos mitos mais persistentes sobre a perversão é que o perverso não sofre. Ao contrário do neurótico, que vive dividido entre o desejo e a culpa, o perverso supostamente "apenas goza" com o sofrimento que inflige aos outros. Por isso, acredita-se que ele não procura análise — afinal, para que tratar algo que não dói?
Mas a clínica psicanalítica desmente essa visão. O perverso sofre, sim — mas de uma forma diferente. Ele sofre da impossibilidade de sustentar seu gozo, da necessidade constante de repetir o ato que o valida, da solidão de uma posição que o isola do laço social genuíno. No entanto, é verdade que o perverso raramente busca a clínica por iniciativa própria. Quando o faz, geralmente é pressionado — por um parceiro, pela justiça, por uma crise que ameaça sua posição.
2.2 O Interesse Escuso: Quando o Perverso Chega ao Consultório
Quando um perverso chega à clínica, não é para se curar. É, muitas vezes, para usar o analista como mais um personagem em seu teatro. Ele pode tentar seduzir o terapeuta, manipular a transferência, transformar a análise em um jogo de poder onde ele precisa vencer.
A literatura psicanalítica descreve o discurso perverso na transferência como performativo — ele busca um interlocutor que atestem a eficácia de sua insubmissão à Lei. O perverso quer que o analista reconheça sua posição, que valide seu gozo, que se torne cúmplice de seu jogo.
Isso coloca o analista diante de um desafio ético imenso: como escutar o perverso sem se deixar capturar por sua lógica? Como sustentar a posição de analista sem cair na armadilha de se tornar vítima ou cúmplice? A resposta, como veremos, está na escuta — uma escuta que não julga, não condena, mas também não se deixa seduzir.
Parte III: O Perverso que Habita em Nós — O Sadismo Cotidiano
3.1 O Prazer com o Sofrimento Alheio: Uma Dimensão Universal
Voltemos à paciente do início. O prazer que ela sentiu ao saber da demissão do chefe — isso é perversão? A psicanálise diria: sim, em sua forma mais branda e cotidiana.
O sadismo, como definido por Freud, é o prazer obtido ao provocar dor ou dominar o outro. Mas esse prazer não precisa se manifestar em atos de crueldade extrema. Ele pode se expressar em pequenas satisfações: o sorriso diante da multa do motorista que nos fechou no trânsito, a satisfação ao saber que a ex que nos traiu foi traída, a alegria mal disfarçada diante do fracasso de um rival.
A psicologia social contemporânea confirma essa intuição. Estudos sobre o sadismo cotidiano mostram que muitas pessoas experimentam prazer com o sofrimento alheio em contextos banais. O sadismo não é uma anomalia; é um traço que existe em diferentes graus na população geral. E, em sua forma mais leve, ele é quase universal.
3.2 A Satisfação Além do Prazer: O Âmago da Perversão
O que distingue o prazer perverso do prazer comum não é a intensidade, mas a estrutura. No sadismo cotidiano, a satisfação vem do alívio — a sensação de que a justiça foi feita, de que o outro recebeu o que merecia. No sadismo perverso, a satisfação é autônoma: não depende da justiça, não depende da moral, não depende de nada além do gozo de ver o outro sofrer.
É por isso que a perversão, em sua forma plena, é tão difícil de compreender. Ela não se justifica por nenhuma razão externa. Ela é, como escreveu Lacan, um amor pela verdade — mas uma verdade obscena, feroz, que expõe o núcleo arbitrário da lei. O perverso não quer provar que o outro é mau; quer provar que a lei é uma farsa, e que o único fundamento do mundo é o gozo.
3.3 Do Prazer Cotidiano à Estrutura Perversa: Um Espectro
É importante distinguir entre o traço perverso que todos carregamos e a estrutura perversa que define uma posição subjetiva. A maioria de nós experimenta, em algum momento, prazer com o sofrimento alheio. Isso não nos torna "perversos" no sentido clínico. Torna-nos humanos — seres complexos, contraditórios, capazes de amar e de odiar, de compadecer e de se alegrar com a desgraça.
A estrutura perversa, por outro lado, é uma organização psíquica total. Ela não é um episódio ou um sentimento passageiro; é uma maneira de estar no mundo. O perverso estrutural não sente apenas prazer com o sofrimento alheio; ele organiza sua vida em torno desse prazer. Ele precisa do Outro como objeto de seu gozo. E, para isso, ele está disposto a tudo — inclusive a destruir o que ama.
Parte IV: Os Tipos e Subtipos da Perversão
4.1 Sadismo e Masoquismo: As Duas Faces da Mesma Moeda
Freud dedicou especial atenção ao par sadismo-masoquismo, que ele considerava as formas mais fundamentais de perversão.
O sadismo é o prazer obtido ao infligir dor, humilhação ou sofrimento a outro. O sádico se coloca na posição ativa, como aquele que domina e controla.
O masoquismo é o prazer obtido ao sofrer dor, humilhação ou submissão. O masoquista se coloca na posição passiva, como aquele que é dominado e controlado.
Para Freud, sadismo e masoquismo não são opostos, mas faces da mesma pulsão. A pulsão pode se voltar para fora (sadismo) ou para dentro (masoquismo). E, em muitos casos, elas coexistem — o sádico pode, em outro contexto, ser masoquista, e vice-versa.
4.2 O Fetichismo: O Objeto que Substitui a Falta
O fetichismo é outra forma clássica de perversão. O fetiche é um objeto (ou parte do corpo) que substitui o objeto sexual "normal" e se torna a condição necessária para a excitação.
Para Freud, o fetiche é uma defesa contra a castração. A criança, ao descobrir que a mulher não tem pênis, interpreta isso como uma "falta" que ameaça sua própria integridade. O fetiche é o objeto que substitui esse pênis faltante, permitindo que o sujeito desminta a castração.
4.3 Voyeurismo e Exibicionismo: O Prazer do Olhar
O voyeurismo é o prazer obtido ao observar o outro em situações íntimas ou proibidas. O exibicionismo é o prazer obtido ao ser observado — ao expor o próprio corpo ou a própria intimidade.
Ambas são formas de perversão porque objetificam o outro. No voyeurismo, o outro é reduzido a um espetáculo; no exibicionismo, o outro é reduzido a uma plateia. Em ambos os casos, a relação sexual plena é evitada ou substituída por uma cena onde o prazer está no olhar, não no contato.
4.4 O Sadomasoquismo Contemporâneo
Na cultura contemporânea, o sadomasoquismo (BDSM) é frequentemente praticado de forma consensual e ritualizada. Nesse contexto, a dor e a submissão são encenadas dentro de um contrato explícito, com limites claros e segurança.
A psicanálise vê nessa prática uma tentativa de dominar a angústia através da repetição e do controle. O sadomasoquista consensual não é necessariamente um "perverso" no sentido clínico; ele está, muitas vezes, brincando com as bordas do prazer e da dor, explorando os limites do corpo e da psique de forma lúdica e consensual.
Parte V: Por que a Perversão é Vista como "Ruim"? O Estigma e a Moral
5.1 A Invenção da Perversão: Foucault e o Discurso da Norma
Michel Foucault mostrou que a categoria de "perversão" não é natural, mas historicamente construída. No século XIX, a medicina e a psiquiatria criaram um sistema de classificação que definia o que era "normal" e o que era "anormal" na sexualidade. Tudo o que se desviava da norma — a sexualidade reprodutiva, monogâmica, heterossexual — era rotulado como "perversão".
Esse discurso, como mostrou Foucault, não era neutro. Ele servia para controlar os corpos, para disciplinar os desejos, para marginalizar aqueles que não se encaixavam no padrão. A perversão, nesse sentido, não é um atributo de certas pessoas; é um rótulo que a sociedade aplica para manter sua ordem.
5.2 A Perversão como Projeção: O que Condenamos nos Outros é o que Tememos em Nós
Por que a palavra "perversão" evoca tanto horror? A psicanálise sugere uma resposta: porque a perversão nos lembra de algo que preferimos esquecer — que todos nós carregamos impulsos que fogem à norma, desejos que não se encaixam, prazeres que a moral condena.
Ao chamar alguém de "perverso", estamos, na verdade, projetando nessa pessoa o que não queremos ver em nós mesmos. Estamos criando um monstro para nos sentirmos melhores, mais puros, mais normais. Mas, como Freud mostrou, essa pureza é uma ilusão. O "perverso polimorfo" — a criança que sente prazer em múltiplas formas, sem culpa — ainda vive em cada um de nós.
5.3 A Perversão como Possibilidade: Além do Bem e do Mal
A psicanálise, ao invés de condenar a perversão, nos convida a compreendê-la. Não para justificar a crueldade, mas para reconhecer que a sexualidade humana é complexa, contraditória, irredutível a qualquer norma.
Como escreveu Lacan, o perverso é "o moralista por excelência" — não porque ele segue a moral, mas porque ele expõe a arbitrariedade da moral. Ele nos mostra que a lei não é natural, não é divina, não é absoluta. Ela é uma construção humana — e, como toda construção, pode ser desconstruída.
Conclusão: O Espelho que Não Queremos Ver
A perversão não é um monstro que habita o outro. É um espelho — um espelho que reflete o que há de mais sombrio e, ao mesmo tempo, mais humano em nós. O prazer com o sofrimento alheio, a satisfação na desgraça do outro, a atração pelo proibido — tudo isso são partes de nós que preferimos negar.
A psicanálise, ao invés de negar, nos convida a olhar. Não para nos condenarmos, mas para nos conhecermos. Para reconhecermos que a sexualidade humana é mais vasta, mais estranha, mais contraditória do que qualquer norma pode abarcar. E que, ao invés de temer a perversão, podemos aprender a integrá-la — não como ato, mas como possibilidade; não como identidade, mas como sombra.
A perversão, em sua forma mais profunda, não é sobre o que fazemos. É sobre quem somos quando a moral se cala e o desejo fala. E, nesse silêncio, talvez descubramos que o monstro que temíamos não está lá fora — está dentro de nós, esperando para ser reconhecido, não para ser eliminado.
Mensagem Final do Dr. Adilson Reichert
Ao longo do tempo nos atendimentos na clínica, aprendi que o medo da perversão é, muitas vezes, o medo de nós mesmos. Pacientes que se horrorizam com os próprios pensamentos — o desejo de ver o outro sofrer, a fantasia de poder e dominação, a atração pelo que é proibido — frequentemente se sentem monstros. E eu lhes digo: vocês não são monstros. São humanos.
A perversão, em sua forma mais branda, é uma dimensão universal da experiência humana. Todos nós, em algum momento, já sentimos prazer com a desgraça alheia. Todos nós já fantasianos com o poder, com a submissão, com o proibido. Isso não nos torna "perversos" no sentido clínico. Torna-nos complexos — seres capazes de amar e de odiar, de compadecer e de se alegrar com a queda do outro.
Como Neuropsicanalista, sei que a perversão estrutural é rara — e que, quando aparece, é um desafio imenso para a clínica. Mas também sei que o traço perverso é comum — e que, ao invés de negá-lo, podemos integrá-lo. Reconhecê-lo como parte de nós, sem nos deixarmos dominar por ele.
Como Terapeuta Cognitivo-Comportamental, ofereço ferramentas para que meus pacientes possam reconhecer e nomear esses impulsos, sem se deixarem paralisar pela culpa. A TCC ensina que os pensamentos não são fatos — e que ter um pensamento "perverso" não significa ser uma pessoa "perversa".
Como Educador Social, sonho com um mundo onde a sexualidade humana seja compreendida em sua complexidade — onde as pessoas não sejam estigmatizadas por seus desejos, desde que não causem dano real a outros. Onde a perversão não seja um tabu, mas um tema de conversa — uma oportunidade para nos conhecermos mais profundamente.
Na NeuroPsiOnline, acreditamos que a mudança acontece quando olhamos para o que mais tememos — e descobrimos que o monstro não é tão monstruoso assim. Que o prazer proibido não é o fim do mundo. Que a sombra, quando integrada, pode se tornar força.
Se você sente que há em você algo que não ousa se revelar — um desejo, uma fantasia, um prazer que a moral condena — saiba que não precisa carregar esse peso sozinho.
A psicoterapia é o espaço onde a sombra pode ser nomeada, onde o desejo pode ser escutado, onde a perversão — em suas múltiplas formas — pode ser compreendida, não como condenação, mas como parte da jornada.
Um abraço,
Dr. Adilson Reichert
Neuropsicanalista Clínico, Terapeuta Cognitivo-Comportamental e Educador Social
NeuroPsiOnline. Onde a mudança acontece.
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Referências
BARATTO, C. C. "A Perversão na Psicanálise de Freud a Lacan: uma trajetória rumo ao discurso". Rev. CEPdePA, v. 23, 2016.
CASTRO, S. L. S. & RUDGE, A. M. "Perversão e ética na clínica psicanalítica". Rev. Mal-Estar Subj., v. 3, n. 1, 2003.
KAROTHY, R. "A perversão e a clínica psicanalítica". Convergencia Freud Lacan.
MELLO, C. A. A. et al. "Perversão - pulsão, objeto e gozo". Reverso, v. 26, n. 51, 2004.
PEREZ, D. O. "O que é a Perversão para a Psicanálise?". ESPECast, 2024.
FERREIRA, L. B. "PRAZER COM O SOFRIMENTO ALHEIO: ADAPTAÇÃO DA ESCALA REDUZIDA DE IMPULSO SÁDICO (ERIS)". Arq. bras. psicol., v. 74, 2022.
FOUCAULT, M. História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988.
FREUD, S. Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905).

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