O Colapso do Laço: Por que a Sociedade Contemporânea Caminha para a Autodestruição — Uma Análise Psicológica, Moral e Histórica dos Conflitos de 2026
- Dr° Adilson Reichert

- 3 de mar.
- 24 min de leitura
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Introdução: O Ano em que o Mundo Pegou Fogo
O ano de 2026 será lembrado nos livros de história — se ainda houver quem os escreva — como o momento em que a frágil arquitetura da paz global ruiu definitivamente. Enquanto escrevo estas linhas, três guerras de grande escala consomem regiões inteiras do planeta: o conflito Rússia-Ucrânia, agora em seu quarto ano, expandiu-se para além das fronteiras originais, envolvendo diretamente países da OTAN; no Oriente Médio, a já volátil situação entre Israel e Palestina degenerou em um conflito regional que arrasta Irã, Arábia Saudita e potências ocidentais; no Indo-Pacífico, as tensões entre China e Taiwan atingiram o ponto de ebulição, com confrontos navais e a iminência de uma guerra que poderia envolver os Estados Unidos. A estas somam-se conflitos esquecidos na África subsaariana, no Cáucaso e na América Latina, onde o crime organizado já não se distingue de facções beligerantes.
A pergunta que ecoa nos consultórios de psicoterapia, nas mesas de bar, nos editoriais dos jornais e nas madrugadas insones de quem ainda conserva a capacidade de se horrorizar é: por quê? Por que, depois de séculos de "progresso" moral e material, depois da promessa iluminista de que a razão nos libertaria da barbárie, depois da criação de instituições internacionais destinadas a prevenir exatamente este cenário, a humanidade parece determinada a repetir os piores capítulos de sua história?
Este artigo propõe uma investigação exaustiva sobre as raízes do colapso contemporâneo. A partir de uma perspectiva integrativa que conjuga Neuropsicanálise, Terapia Cognitivo-Comportamental e Educação Social, articulada com a filosofia da história, a psicologia das massas e a análise geopolítica, exploraremos:
1. O diagnóstico do presente: o que está acontecendo no mundo em 2026.
2. As raízes psicológicas do colapso: como o declínio da saúde mental coletiva alimenta a agressividade.
3. A crise moral e ética: o relativismo, o niilismo e a perda de referenciais compartilhados.
4. A não linearidade da história: por que a ideia de "progresso" é uma ilusão perigosa.
5. O ciclo da violência: como o medo e a insegurança geram autoritarismo e guerra.
6. Perspectivas de saída: o que pode ser feito para reconstruir o laço social.
A tese central é que o colapso não é um acidente, mas o resultado de processos psicológicos, morais e históricos de longa duração que atingiram seu ponto crítico. Compreender esses processos é o primeiro passo para, talvez, interrompê-los.
Parte I: O Diagnóstico do Presente — 2026 e a Fragilidade da Paz
1.1 O Mapa da Guerra
Em março de 2026, o mundo assiste atônito à multiplicação de focos de conflito que, interligados, ameaçam uma conflagração global. O relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) registra o maior número de conflitos ativos desde 1945 . Não se trata apenas de guerras interestatais tradicionais, mas de um emaranhado de:
- Guerras híbridas: combinação de ação militar convencional, ciberataques, guerra de informação e uso de mercenários.
- Conflitos por procuração: potências que se enfrentam indiretamente em territórios de terceiros.
- Guerras civis com intervenção estrangeira: conflitos internos que rapidamente se internacionalizam.
- Terrorismo e crime organizado transnacional: organizações que desafiam a soberania dos Estados.
A Ucrânia tornou-se o epicentro de um confronto que opõe não apenas Rússia e OTAN, mas dois modelos de mundo: o autoritarismo nacionalista versus a democracia liberal enfraquecida. No Oriente Médio, a guerra Israel-Hamas expandiu-se para incluir o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e ataques diretos entre Irã e Israel. No Mar do Sul da China, incidentes navais entre China e Filipinas, apoiadas pelos EUA, criaram um cenário de "guerra acidental" iminente.
1.2 O Colapso das Instituições Internacionais
A ONU, criada em 1945 para "poupar as gerações vindouras do flagelo da guerra", encontra-se paralisada. O Conselho de Segurança, refém do poder de veto de seus membros permanentes, é incapaz de qualquer ação significativa. O direito internacional, violado sistematicamente por todas as partes, perdeu sua força normativa. As organizações regionais (União Europeia, União Africana, OEA) mostram-se igualmente impotentes.
O historiador britânico Adam Tooze observa que "as instituições construídas após 1945 pressupunham um consenso básico sobre valores e uma distribuição de poder que já não existe" . O mundo multipolar do século XXI não produziu novas instituições à altura; em vez disso, gerou um vácuo de governança onde a força bruta volta a ser o único árbitro.
1.3 A Economia da Guerra
Paradoxalmente, a economia global continua crescendo — mas esse crescimento é cada vez mais impulsionado pela indústria bélica. Os orçamentos de defesa atingem níveis nunca vistos desde a Guerra Fria. A Europa, que desmantelara seus exércitos após o fim da URSS, reaparelha-se em ritmo acelerado. A China expande sua marinha. Os EUA mantêm hegemonia militar.
O economista James Galbraith aponta que "a economia de guerra cria seus próprios interesses: complexos industriais-militares que dependem da perpetuação dos conflitos para sobreviver" . Estes interesses, uma vez instalados, tornam-se forças políticas poderosas que retroalimentam a beligerância.
Parte II: As Raízes Psicológicas do Colapso — O Declínio da Mente Coletiva
2.1 O Narcisismo Contemporâneo e a Incapacidade de Reconhecer o Outro
O psicanalista francês Jacques Lacan ensinava que o ser humano se constitui na relação com o outro. O estádio do espelho — momento em que a criança reconhece sua imagem — é também o momento em que ela se percebe como separada, mas potencialmente unificada. A saúde psíquica depende da capacidade de transitar entre o eu e o outro, de reconhecer a alteridade sem se dissolver nela.
A sociedade contemporânea, porém, tem produzido o que o psicanalista Joel Birman chama de "narcisismo patológico" — um eu inflado, frágil, que reage com violência à menor frustração. As redes sociais, com seus mecanismos de validação instantânea, cultivam essa patologia: o outro deixa de ser um interlocutor para tornar-se um espelho que deve refletir nossa própria imagem idealizada. Quando isso não acontece, a reação é a eliminação simbólica (cancelamento) ou, em casos extremos, a eliminação física.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço, descreve o sujeito contemporâneo como "empreendedor de si mesmo", que se autoexplora sem descanso. Este sujeito, esgotado, não tem energia para o outro. A depressão, epidemia do nosso tempo, é a doença do esvaziamento da relação — o outro desaparece, e com ele a possibilidade de transcendência.
2.2 A Polarização Afetiva e a Morte do Diálogo
O psicólogo social Jonathan Haidt, em A Mente Moralista, demonstrou como os seres humanos são muito mais intuitivos do que racionais em suas posições morais. Nossos julgamentos são, em grande parte, racionalizações a posteriori de intuições emocionais. Quando grupos diferentes desenvolvem intuições morais distintas (baseadas em valores como cuidado, justiça, lealdade, autoridade, santidade), o diálogo torna-se impossível.
Nas últimas décadas, as redes sociais amplificaram esse fenômeno através de algoritmos que privilegiam conteúdo emocional e polarizador. O resultado é a fragmentação do espaço público em bolhas incomunicáveis. Não apenas discordamos — desconfiamos da própria capacidade do outro de ser racional, de ser honesto, de ser humano.
A neuropsicanálise acrescenta a essa compreensão o papel do córtex pré-frontal na regulação emocional. Sob estresse crônico, esta região é desativada, e o cérebro reptiliano assume o controle. A sociedade do estresse permanente (insegurança econômica, medo do futuro, sobrecarga informacional) produz indivíduos emocionalmente desregulados, prontos para reagir com violência à menor provocação.
2.3 O Esgotamento da Empatia
A psicóloga Simon Baron-Cohen distingue entre empatia cognitiva (capacidade de compreender o que o outro sente) e empatia afetiva (capacidade de compartilhar esse sentimento). Ambas estão em declínio.
Estudos longitudinais mostram que jovens universitários apresentam níveis de empatia 40% menores que os de trinta anos atrás . As causas são múltiplas: substituição do contato face a face por interações digitais, cultura do desempenho individual, exposição precoce a violência midiática.
Sem empatia, o outro torna-se objeto, não sujeito. E objetos podem ser descartados, eliminados, quando incomodam. A guerra é a expressão máxima dessa objetificação: o inimigo deixa de ser humano para tornar-se alvo.
2.4 A Perspectiva Freudiana: O Mal-Estar na Civilização
Sigmund Freud, em O Mal-Estar na Civilização (1930), ofereceu uma análise profunda da tensão entre pulsão de vida (Eros) e pulsão de morte (Thanatos). Para Freud, a agressividade é inerente à condição humana; a civilização existe precisamente para contê-la, através da internalização de normas e da criação de laços afetivos.
Mas a civilização cobra um preço: o mal-estar. Quando as exigências da cultura se tornam excessivas, ou quando os laços afetivos se enfraquecem, a agressividade reprimida pode irromper com violência redobrada.
O que vemos hoje, segundo esta perspectiva, é o esgarçamento dos laços que mantinham a agressividade sob controle. A família tradicional enfraqueceu, mas novas formas de pertencimento não se consolidaram. As ideologias que davam sentido à vida (religião, nacionalismo, progresso) perderam força. O indivíduo fica sozinho com sua agressividade — e o resultado é a guerra.
Parte III: O Declínio Moral e Ético — A Perda do Chão Comum
3.1 O Relativismo Extremo e a Impossibilidade do Juízo
O filósofo canadense Charles Taylor, em As Fontes do Self, descreve a modernidade como um processo de individualização das fontes morais. Se antes a ética derivava de uma ordem cósmica ou divina, agora cada indivíduo deve construir seus próprios valores. Esta liberdade é também um fardo: sem referências compartilhadas, o que resta para julgar o intolerável?
O relativismo extremo, levado às últimas consequências, produz a paralisia do juízo. Se todas as culturas são igualmente válidas, se todos os pontos de vista merecem igual respeito, como condenar o genocídio, a tortura, a guerra de agressão? A resposta pós-moderna — "não podemos" — revela-se insuficiente diante dos campos de batalha.
A filósofa alemã Hannah Arendt, ao cobrir o julgamento de Eichmann em Jerusalém, cunhou a expressão "banalidade do mal" para descrever a incapacidade de pensar que caracteriza o burocrata nazista. Eichmann não era um monstro; era um homem comum que simplesmente deixou de pensar sobre as consequências de seus atos. O relativismo, ao desabilitar o pensamento moral, produz exatamente essa banalidade.
3.2 A Crise das Instituições Formadoras de Caráter
O filósofo Alasdair MacIntyre, em Depois da Virtude, diagnostica a modernidade como um fragmento de tradições morais cujo sentido se perdeu. As instituições que tradicionalmente formavam o caráter — família, igreja, escola, comunidade local — perderam sua eficácia sem serem substituídas por outras.
O resultado é o que MacIntyre chama de "emotivismo": a redução dos juízos morais a meras expressões de preferência pessoal. "Assassinar é errado" torna-se equivalente a "não gosto de sorvete de chocolate". Quando valores não são mais objetos de debate racional, a única forma de resolver divergências é a força.
A Educação Social, herdeira dessa tradição, insiste na necessidade de comunidades de prática onde os valores possam ser vividos e transmitidos. Sem elas, o indivíduo fica à deriva, presa fácil de discursos totalitários que oferecem certezas simples.
3.3 A Tecnocracia e a Morte da Política
O sociólogo alemão Jürgen Habermas alertou para o risco da "colonização do mundo da vida pelo sistema" — a substituição da deliberação democrática por critérios técnicos de eficiência. Quando as decisões políticas são apresentadas como questões técnicas (gerenciamento da economia, otimização de recursos), o espaço para o debate de valores se reduz.
A tecnocracia produz cidadãos passivos, que aguardam soluções dos especialistas em vez de se engajarem na construção coletiva do futuro. Esvaziada de sentido, a política torna-se mera administração — e a administração, como mostrou Arendt, pode facilmente servir à barbárie.
O filósofo francês Bernard Stiegler, em A Miséria Simbólica, descreve como o capitalismo contemporâneo destruiu os processos de transindividuação — a construção compartilhada de sentido através da linguagem, da arte, do ritual. Resta o indivíduo isolado, entregue aos fluxos de informação que o manipulam sem que ele sequer perceba.
3.4 O Niilismo Passivo e o Apelo da Destruição
Friedrich Nietzsche, no século XIX, profetizou o advento do niilismo: a desvalorização dos valores supremos, a perda de sentido que se seguiria à "morte de Deus". Para Nietzsche, o niilismo poderia ser ativo (a destruição criativa que abre espaço para novos valores) ou passivo (a resignação, o cansaço, o "último homem" que não quer mais nada).
O que vivemos hoje é um niilismo passivo generalizado. Não acreditamos mais em nada, mas também não temos energia para criar novos valores. O resultado é uma apatia que convive com explosões de violência sem sentido — a violência como única forma ainda disponível de sentir que se existe.
O psicanalista Contardo Calligaris observa que "quando nada mais faz sentido, a destruição pode parecer a única forma de ação significativa" . É o que vemos nos ataques terroristas, nos massacres em escolas, na brutalidade das guerras contemporâneas.
Parte IV: A Não Linearidade da História — O Fim da Ilusão do Progresso
4.1 A Crítica da Ideia de Progresso
O Iluminismo do século XVIII legou à modernidade a crença no progresso linear: a humanidade caminharia inexoravelmente em direção a mais razão, mais liberdade, mais bem-estar. Esta crença, que sustentou a colonização, a revolução industrial e a criação das instituições internacionais, revela-se hoje uma ilusão perigosa.
O historiador alemão Reinhart Koselleck, em Crítica e Crise, mostrou como a filosofia da história do século XVIII separou o "espaço da experiência" (o passado que conhecemos) do "horizonte de expectativa" (o futuro que esperamos). Esta separação permitiu imaginar futuros radicalmente diferentes do passado — mas também criou a possibilidade de desilusões catastróficas quando o futuro não corresponde às expectativas.
4.2 Spengler e o Declínio do Ocidente
Oswald Spengler, em O Declínio do Ocidente (1918), propôs uma visão alternativa: as civilizações são organismos que nascem, crescem, amadurecem e morrem. O Ocidente, para Spengler, estaria em sua fase final — a "civilização" (tecnicamente avançada, mas espiritualmente estéril) sucedendo à "cultura" (criativa e orgânica).
Spengler foi acusado de pessimismo, mas sua análise ressoa em muitos aspectos da contemporaneidade: a concentração urbana, o predomínio da técnica, o esvaziamento da religiosidade, o imperialismo como expressão final da vontade de poder. Para Spengler, a guerra não é acidente, mas destino — a expressão inevitável da fase final.
4.3 Toynbee e o Desafio-Resposta
O historiador britânico Arnold Toynbee, em Um Estudo da História, ofereceu um modelo mais matizado: as civilizações desenvolvem-se através do mecanismo de desafio e resposta. Quando um desafio (ambiental, militar, social) é enfrentado com uma resposta criativa, a civilização avança; quando a resposta é inadequada ou ausente, ela declina.
O desafio contemporâneo é múltiplo: crise climática, desigualdade extrema, automação, fragmentação social. A resposta, até agora, tem sido inadequada: nacionalismos, fundamentalismos, guerras. O declínio, nesta perspectiva, não é inevitável, mas exige uma resposta à altura — que ainda não fomos capazes de dar.
4.4 Turchin e os Ciclos de Violência
O cientista político Peter Turchin, fundador da cliodinâmica, propõe uma análise quantitativa dos ciclos históricos. Seus estudos mostram que as sociedades passam por ciclos de aproximadamente 50-100 anos, alternando períodos de estabilidade e violência. O gatilho para a violência seria a superprodução de elites — um excesso de pessoas qualificadas para posições de poder em relação ao número de posições disponíveis.
Aplicada ao presente, a teoria de Turchin é perturbadora: o mundo produziu um número sem precedentes de graduados universitários, mas as economias não geraram empregos à altura. Esta "elite frustrada" torna-se uma força desestabilizadora, alimentando populismos, extremismos e conflitos .
4.5 A Não Linearidade e a Responsabilidade Humana
Se a história não é linear, se não há garantia de progresso, então o futuro está aberto — e a responsabilidade humana torna-se central. Não podemos nos refugiar na crença de que "as coisas vão melhorar sozinhas". Também não podemos nos entregar ao determinismo pessimista de que "tudo está perdido".
O filósofo francês Raymond Aron, em O Ópio dos Intelectuais, criticou tanto o otimismo ingênuo dos progressistas quanto o pessimismo absoluto dos reacionários. A história, para Aron, é contingente — feita de escolhas humanas em contextos que não escolhemos. A questão não é profetizar, mas agir.
Parte V: O Ciclo da Violência — Como o Medo Gera Mais Medo
5.1 A Psicologia das Massas e o Autoritarismo
Sigmund Freud, em Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921), analisou como os indivíduos em grupo regridem a estados primitivos: perdem a capacidade crítica, identificam-se com o líder, projetam sua agressividade no exterior. As massas, para Freud, são emocionalmente instáveis e facilmente manipuláveis.
O que vemos hoje é a atuação deliberada de empreendedores políticos do medo que exploram essa fragilidade. Líderes autoritários em todo o mundo constroem seu poder identificando inimigos internos e externos, prometendo proteção em troca de liberdade. A fórmula é antiga, mas ganhou nova potência com as redes sociais, que permitem a comunicação direta com as massas sem mediação institucional.
5.2 Adorno e a Personalidade Autoritária
Theodor Adorno, em A Personalidade Autoritária (1950), identificou um conjunto de traços que predispõem os indivíduos a aderir a movimentos autoritários: convencionalismo, submissão à autoridade, agressividade contra minorias, superstição e rigidez cognitiva. Estes traços, para Adorno, não são inatos, mas produzidos por experiências familiares e sociais.
A pesquisa contemporânea confirma a persistência desses traços e sua correlação com o apoio a líderes autoritários e políticas belicistas. Em tempos de incerteza, a personalidade autoritária floresce: pessoas buscam líderes fortes que lhes digam o que pensar e contra quem lutar.
5.3 Reich e a Peste Emocional
Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud, cunhou o conceito de "peste emocional" para descrever a propagação irracional da destrutividade. Para Reich, a repressão sexual produziria uma "armadura muscular" que bloqueia a energia vital, transformando-a em agressividade. Esta agressividade, quando canalizada politicamente, produz guerras e genocídios.
Embora a teoria reichiana seja controversa, seu diagnóstico da irracionalidade coletiva ressoa fortemente. As decisões que levam à guerra raramente são racionais no sentido econômico ou estratégico; são movidas por medos, humilhações, ressentimentos — emoções que se propagam como vírus através do corpo social.
5.4 O Ciclo Retroalimentador
O medo gera agressividade, que gera mais medo. A violência de um lado justifica a violência do outro. Inimigos reais são criados a partir de ameaças imaginadas, e ameaças imaginadas tornam-se reais à medida que as profecias se autorrealizam.
Este ciclo, uma vez iniciado, é difícil de interromper. Cada ato violento produz traumas que alimentarão a próxima geração de combatentes. O historiador Christopher Browning, em Homens Comuns, mostrou como cidadãos comuns podem tornar-se assassinos em massa quando inseridos em contextos que normalizam a violência. A normalização da guerra é o passo final antes da barbárie.
Parte VI: Perspectivas de Saída — Reconstruindo o Laço Social
6.1 A Educação para a Paz como Antídoto
A Educação Social, herdeira de Paulo Freire, insiste na importância da conscientização como primeiro passo para a transformação. Uma educação que não apenas transmita conteúdos, mas forme sujeitos críticos, capazes de reconhecer a manipulação e resistir a ela, é condição necessária para a paz duradoura.
Programas de educação para a paz existem em diversos países, mas permanecem marginais. Sua expansão sistemática, desde a primeira infância até a idade adulta, poderia criar gerações mais resistentes aos discursos de ódio.
6.2 A Reconstrução das Instituições Internacionais
O filósofo Jürgen Habermas defende a necessidade de instituições cosmopolitas que possam arbitrar conflitos e garantir direitos básicos. A atual ONU, paralisada pelos vetos e pela lógica de poder, precisa ser reformada ou substituída.
Propostas como a criação de uma Assembleia Parlamentar das Nações Unidas, com representantes eleitos diretamente pelos cidadãos, ou o fortalecimento do Tribunal Penal Internacional, apontam na direção de uma governança global mais democrática. A viabilidade política dessas propostas é incerta, mas a alternativa é a barbárie.
6.3 A Clínica do Social: Curando Traumas Coletivos
A Neuropsicanálise pode contribuir com a compreensão dos traumas coletivos que alimentam ciclos de violência. Sociedades que sofreram guerras, genocídios, ditaduras carregam feridas que, não elaboradas, transmitem-se às gerações seguintes.
Processos de justiça restaurativa e comissões da verdade são tentativas de elaborar esses traumas. Mas são insuficientes se não acompanhados de políticas públicas que enderecem as causas materiais da violência — desigualdade, falta de perspectivas, exclusão.
6.4 O Resgate da Ética do Cuidado
A filósofa Carol Gilligan, em Vozes Diferentes, mostrou que as éticas tradicionais privilegiam valores "masculinos" (justiça, autonomia, direitos) em detrimento de valores "femininos" (cuidado, responsabilidade, conexão). Uma sociedade que queira superar a violência precisa revalorizar o cuidado como princípio ético fundamental.
Isto significa:
- Valorizar socialmente o trabalho de cuidado (com crianças, idosos, doentes).
- Educar meninos e meninas para a empatia e a responsabilidade relacional.
- Priorizar políticas de bem-estar social em detrimento de gastos militares.
- Construir comunidades onde as pessoas se sintam vistas e cuidadas.
6.5 A Espiritualidade como Fonte de Sentido — e o Fanatismo como sua Sombra Letal
O niilismo que alimenta a destruição só pode ser combatido com a reconstrução de sentido. No entanto, é precisamente nesta busca por sentido que reside uma das armadilhas mais perigosas da condição humana: a tentação do fanatismo religioso. Pois se a ausência de transcendência nos deixa à deriva, a sua presença mal compreendida pode nos transformar em instrumentos de destruição em nome do sagrado.
É imperativo, neste ponto, fazer uma distinção crucial que a história das guerras de religião, do terrorismo contemporâneo e dos conflitos identitários nos impõe: a necessidade humana de conexão com o transcendente não é equivalente à adesão a qualquer teísmo antropomórfico. Pior: a história demonstra que quando essa necessidade é capturada por narrativas que postulam um "ser onipotente, onisciente e onipresente" que intervém na história em favor de "seu povo" contra "os outros", o resultado é invariavelmente a catástrofe.
6.5.1 O Deus Antropomórfico e a Guerra Santa
O filósofo francês René Girard, em sua teoria do bode expiatório, demonstrou como as religiões arcaicas funcionavam como mecanismos de contenção da violência através do sacrifício ritual. O problema surge quando as religiões monoteístas, ao romperem com o politeísmo, mantiveram a estrutura sacrificial mas a universalizaram e absolutizaram. O Deus único, que deveria ser o fundamento da fraternidade universal, tornou-se frequentemente o emblema da tribo, o legitimador supremo da violência contra o infiel.
As guerras de religião que ensanguentaram a Europa nos séculos XVI e XVII, os genocídios associados à colonização (justificados pela "salvação das almas"), o terrorismo contemporâneo em nome de Alá ou de Javé — todos partilham da mesma estrutura psicopatológica: a certeza absoluta de que se conhece a vontade divina e, mais grave ainda, de que essa vontade autoriza (ou ordena) a eliminação daqueles que não partilham da mesma crença.
O psicanalista francês Jacques Lacan, em seu seminário sobre a angústia, identificou a estrutura do discurso do mestre como aquela que produz sujeitos submetidos a um significante-mestre que lhes diz quem são e o que devem desejar. O fanatismo religioso é a forma mais acabada dessa submissão: o crente não apenas acredita; ele sabe — e este saber o absolve da necessidade de pensar, de duvidar, de se colocar no lugar do outro.
6.5.2 O Fanatismo Não Conhece Fronteiras
É fundamental compreender que o fanatismo não é exclusivo de nenhuma religião em particular. Católicos queimaram hereges, protestantes massacraram católicos, muçulmanos radicais decapitam "infiéis", judeus extremistas assassinam palestinos em oração, hindus nacionalistas promovem pogroms contra muçulmanos, budistas no Sri Lanka e em Mianmar perseguem minorias. A estrutura é a mesma: a transformação do divino em ídolo tribal, a confusão entre Deus e a identidade grupal, a projeção no outro de tudo o que se recusa reconhecer em si.
O filósofo francês Régis Debray, em Crítica da Razão Política, observa que "o homem religioso não é aquele que crê em Deus, mas aquele que crê que sua crença é a única verdadeira". O problema não é a fé, mas a exclusividade da fé — a certeza de que o caminho para o absoluto é propriedade privada de um grupo, e que todos os demais estão irremediavelmente perdidos ou, pior, são obstáculos a serem removidos.
6.5.3 A Vacuidade Existencial como Fundamento da Unidade
É precisamente para escapar dessa armadilha que precisamos de uma outra compreensão do transcendente — uma compreensão que não projete no céu as estruturas de poder que nos oprimem na terra, mas que nos conecte com a experiência fundamental da vacuidade (śūnyatā) de que fala o Budismo, ou do mistério (mysterium tremendum) de que fala Rudolf Otto.
O Dalai Lama, em seus diálogos com cientistas ocidentais, insiste que a compaixão (karuṇā) não depende da crença em um Deus pessoal. Ela emerge naturalmente quando compreendemos a interdependência de todos os seres — quando percebemos que não existimos como "eus" isolados, mas como nós em uma rede infinita de relações. Esta percepção, longe de levar ao fanatismo, dissolve suas bases: se o outro é parte de mim, como poderia matá-lo?
O filósofo alemão Martin Buber, em Eu e Tu, distinguiu entre a relação Eu-Isso (que trata o outro como objeto) e a relação Eu-Tu (que encontra o outro como sujeito). O fanatismo religioso é a forma mais radical da relação Eu-Isso aplicada ao sagrado: Deus mesmo é transformado em "Isso", um objeto que se possui, uma arma que se empunha, uma bandeira que se hasteia. A experiência genuína do transcendente, ao contrário, nos lança na relação Eu-Tu — e esta relação, por definição, não pode ser exclusiva, pois o Tu absoluto, quando verdadeiramente encontrado, revela-se presente em todos os tus finitos.
6.5.4 Unir-se no Vazio, Não no Ídolo
O que a humanidade necessita, neste momento crítico de sua história, não é de mais certezas, mas da coragem de habitar a incerteza. Não é de mais deuses tribais, mas do reconhecimento de que o fundamento último da existência — se é que podemos chamá-lo assim — é precisamente aquilo que escapa a toda nomeação, a toda possessão, a toda exclusividade.
O teólogo cristão Paul Tillich falava de Deus como o "fundamento do ser" (ground of being), não como um ser entre outros. O místico medieval Mestre Eckhart pedia a Deus que o livrasse de "Deus" — ou seja, da imagem idolátrica que fazemos do divino. O sufismo islâmico insiste que "não há Deus senão Deus" significa também que nenhuma imagem de Deus é Deus. O Budismo ensina que aquele que apega-se à ideia de Buda nunca verá Buda.
Esta tradição apofática (que fala do divino pelo que ele não é) é o antídoto mais poderoso contra o fanatismo. Se Deus é inefável, inominável, inapreensível, então ninguém pode reivindicar possuí-lo — e, portanto, ninguém pode matar em seu nome.
6.5.5 A Espiritualidade Pós-Teísta como Possibilidade
O que emerge dessa compreensão é a possibilidade de uma espiritualidade pós-teísta — não no sentido de superar a religião, mas de superar a ilusão de um Deus antropomórfico que intervém na história, favorece uns e condena outros. Uma espiritualidade que não nega a experiência do sagrado, mas a compreende como acesso à dimensão de profundidade da existência, àquilo que nos conecta com o mistério, com o outro, com o cosmos.
Esta espiritualidade pode ser vivida dentro das tradições religiosas (como mística) ou fora delas (como experiência filosófica ou estética). O que importa não é o nome que se dá ao inefável, mas a qualidade da relação que se estabelece com ele — e, através dele, com todos os seres.
O psicanalista Carl Gustav Jung, em sua resposta a Resposta a Jó, mostrou como a imagem de Deus pode evoluir à medida que a consciência humana se desenvolve. O Deus tribal, vingativo, parcial, precisa dar lugar ao Deus que é a totalidade dos opostos — que contém em si tanto a luz quanto a sombra, e que, por isso mesmo, não pode ser instrumentalizado por nenhum lado.
6.5.6 A Unidade na Vacuidade
Retomemos a imagem que deu origem a esta reflexão: a nave estelar Enterprise e a visão de uma humanidade unida, superada a infância da escassez e do medo. Em Star Trek, a Federação não é teísta nem ateia; é pós-teísta. Ela respeita todas as crenças, mas fundamenta sua unidade não em um deus comum, mas em valores comuns: a curiosidade, a solidariedade, o respeito à diversidade, a busca pelo conhecimento.
Esta é a única forma de unidade possível em um mundo que conheceu os horrores do fanatismo: unir-se não em torno de uma crença, mas no reconhecimento de que a crença é sempre insuficiente para capturar o real. Unir-se não apesar das diferenças, mas através delas, na experiência compartilhada da finitude, da fragilidade, do mistério.
O filósofo francês Jean-Luc Nancy, em La Déclosion, fala de uma "abertura" do cristianismo para além de si mesmo, para uma experiência do divino que não se fecha em dogma. Esta abertura, que Nancy chama de "desconstrução do cristianismo", é na verdade o movimento de toda espiritualidade autêntica: dissolver-se como posse para renascer como relação.
6.5.7 O Desafio Prático
Como cultivar, concretamente, esta espiritualidade não-fanática em um mundo que nos empurra para o oposto?
1. Educação para o mistério: Ensinar às crianças, desde cedo, que há perguntas sem resposta, que o real excede nossas representações, que a certeza absoluta é sempre suspeita.
2. Diálogo inter-religioso genuíno: Não aquele que busca encontrar "o que temos em comum" (frequentemente à custa de esvaziamento das diferenças), mas aquele que permite que as diferenças sejam encontradas, confrontadas, e que deste confronto emerja um respeito mais profundo.
3. Experiência estética como via de acesso: A arte, a música, a poesia, a natureza — todas oferecem experiências de transcendência que não dependem de adesão doutrinária e que, por isso mesmo, podem ser compartilhadas entre pessoas de diferentes crenças.
4. Espiritualidade laica: O desenvolvimento de rituais, práticas e comunidades que cultivem a conexão, a gratidão, o assombro, sem referência a qualquer divindade pessoal.
5. Crítica permanente da idolatria: A vigilância constante contra a tendência a transformar qualquer bem (dinheiro, poder, nação, religião) em absoluto. Como lembrava o filósofo judeu Martin Buber, todo "Isso" que se torna "Tu" é sagrado; todo "Tu" que se reduz a "Isso" é profanação.
Síntese
O niilismo nos destrói pelo vazio; o fanatismo, pelo excesso de plenitude. Ambos são faces da mesma impossibilidade de habitar a tensão — entre sentido e absurdo, entre certeza e dúvida, entre pertencimento e liberdade.
A saída não está em escolher um dos polos, mas em aprender a viver na fronteira. Nem a ilusão de um Deus antropomórfico que resolve todos os problemas, nem o desespero de um mundo sem sentido. Antes, a coragem de reconhecer que o fundamento é vazio — e que é precisamente desse vazio que pode emergir uma ética da compaixão, uma política da solidariedade, uma espiritualidade da conexão.
Unir-se não em torno de um nome, mas no reconhecimento de que todo nome é insuficiente. Unir-se não apesar da vacuidade, mas por causa dela — porque é no vazio que podemos, finalmente, encontrar o outro sem medo de nos perdermos.
Esta é a única unidade digna do ser humano: a unidade que não anula as diferenças, mas as acolhe; que não possui a verdade, mas a busca; que não mata em nome de Deus, mas vive em nome da vida.
Parte VII: Síntese Integrativa — O Papel da Clínica na Reconstrução do Laço
7.1 Neuropsicanálise: Elaborando o Trauma Coletivo
A clínica neuropsicanalítica pode oferecer espaços para a elaboração dos traumas que alimentam ciclos de violência. Não se trata apenas de tratar indivíduos, mas de criar dispositivos grupais onde memórias traumáticas possam ser compartilhadas e ressignificadas.
Experiências como os grupos de diálogo entre israelenses e palestinos, ou entre vítimas da ditadura e seus algozes, mostram que é possível, em pequena escala, interromper ciclos de ódio. A questão é como escalar essas experiências.
7.2 TCC: Reestruturando Crenças que Alimentam o Conflito
A Terapia Cognitivo-Comportamental pode contribuir identificando e modificando crenças disfuncionais que alimentam a beligerância:
Crença | Reestruturação |
"O outro grupo é intrinsecamente mau" | "Indivíduos são complexos; grupos têm múltiplas perspectivas" |
"Violência é a única linguagem que entendem" | "Violência gera mais violência; diálogo pode ser possível" |
"Se não revidarmos, seremos destruídos" | "Há alternativas entre rendição e retaliação" |
"Nosso sofrimento justifica qualquer ação" | "O sofrimento passado não autoriza sofrimento futuro" |
7.3 Educação Social: Construindo Pontes
A Educação Social pode atuar na reconstrução do tecido comunitário lá onde ele se rompeu. Através de:
- Espaços de diálogo intercomunitário.
- Projetos colaborativos que transcendam divisões.
- Formação de lideranças comprometidas com a paz.
- Preservação da memória histórica sem ressentimento.
Conclusão: A História Não Acabou
O ano de 2026 nos confronta com uma verdade que preferíamos esquecer: a barbárie não é um acidente de percurso, mas uma possibilidade sempre presente na condição humana. As instituições que construímos para contê-la são frágeis; os valores que acreditávamos universais revelam-se contingentes; o progresso que tomávamos por garantido revela-se ilusão.
Mas esta constatação, por mais sombria, não autoriza o desespero. Se a história não é linear, se não há garantias, então o futuro está aberto — e depende de nós. Depende de cada escolha, cada gesto, cada palavra. Depende da capacidade de resistir ao discurso de ódio, de manter a humanidade do outro mesmo quando ele a nega, de recusar a lógica da guerra mesmo quando ela parece inevitável.
O psicanalista e sobrevivente do Holocausto Viktor Frankl, em Em Busca de Sentido, escreveu que "o ser humano é capaz de viver e até de morrer por seus ideais e valores". A mesma capacidade que nos leva à guerra pode nos levar à paz — se escolhermos os ideais certos.
O que move o mundo não são as forças cegas da história, mas as escolhas humanas. E a escolha fundamental é esta: o que faremos com nossa agressividade? Deixaremos que ela nos domine, ou aprenderemos a transformá-la em energia criativa? Repetiremos os erros do passado, ou encontraremos, enfim, a coragem de inventar um futuro diferente?
A resposta está sendo escrita agora, em cada decisão política, em cada ato de coragem cotidiana, em cada recusa a desistir do outro. Que possamos estar à altura do desafio.
Mensagem Final do Dr. Adilson Reichert
Há dias em que, ao chegar ao consultório, me pergunto se faz sentido. Se faz sentido ouvir histórias de sofrimento individual quando o mundo inteiro parece estar em chamas. Se faz sentido ajudar alguém a lidar com a ansiedade quando o que deveria nos preocupar é a guerra. Se faz sentido investir na saúde mental quando a própria civilização parece doente.
E então lembro do que aprendi com meus pacientes, com meus mestres, com a vida. Lembro que o sofrimento nunca é apenas individual — cada ansiedade carrega o peso do mundo, cada depressão reflete o desencanto coletivo, cada conflito relacional ecoa as guerras lá fora. Cuidar do indivíduo é também cuidar do mundo; ajudar alguém a reconstruir seus laços é também reconstruir o tecido social.
Como Neuropsicanalista, sei que a agressividade que move as guerras habita também em cada um de nós. A diferença entre o soldado que mata e o cidadão que tolera é apenas de grau, não de natureza. Reconhecer essa sombra em nós mesmos é o primeiro passo para não projetá-la no outro.
Como Terapeuta Cognitivo-Comportamental, ofereço ferramentas para identificar os pensamentos que alimentam o ódio, para questionar as crenças que justificam a violência, para construir respostas mais adaptativas aos desafios da vida.
Como Educador Social, lembro que a transformação não é apenas individual. Precisamos de comunidades que resistam ao discurso de ódio, de espaços onde o diálogo ainda seja possível, de instituições que protejam os mais vulneráveis. Precisamos, sobretudo, de esperança ativa — não a esperança ingênua de que tudo vai se resolver, mas a esperança militante de que podemos, juntos, construir algo melhor.
Na NeuropsiOnline, acreditamos que a mudança acontece quando nos permitimos olhar para o abismo sem desviar o olhar, mas também sem nos jogarmos nele. Acontece quando reconhecemos a barbárie em nós e no mundo, e ainda assim escolhemos a civilização. Acontece quando, diante da guerra, insistimos na paz.
Se você sente o peso deste tempo, se a violência do mundo entra na sua casa pelas telas e perturba seu sono, se quer encontrar forças para continuar acreditando no outro — saiba que não precisa fazer essa jornada sozinho.
O convite está feito. A história não acabou.
Um abraço,
Dr. Adilson Reichert
Neuropsicanalista Clínico, Terapeuta Cognitivo-Comportamental e Educador Social.
NeuropsiOnline. Onde a mudança acontece.
Referências
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- Freud, S. (1921). Group Psychology and the Analysis of the Ego.
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- Stiegler, B. (2004). De la misère symbolique.
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- Tooze, A. (2021). Shutdown: How Covid Shook the World's Economy.
- Toynbee, A. (1934-1961). A Study of History.
- Turchin, P. (2016). Ages of Discord: A Structural-Demographic Analysis of American History.
- Turchin, P. (2023). End Times: Elites, Counter-Elites, and the Path of Political Disintegration.
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