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Erich Fromm: O Humanista Radical entre Marx e Freud — Uma Psicanálise para a Sociedade Doente e o Preço da Liberdade

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Uma jornada pela obra do pensador que nos ensinou que não podemos curar o indivíduo sem curar o mundo, nem transformar o mundo sem transformar o indivíduo


Há uma cena que nunca aconteceu, mas que condensa o espírito de Erich Fromm como nenhuma outra. Imagino-o jovem, nos agitados anos 1920 em Frankfurt, sentado em uma escrivaninha modesta com dois livros abertos diante de si: de um lado, O Capital de Karl Marx; do outro, A Interpretação dos Sonhos de Sigmund Freud. À sua volta, o mundo desmoronava: a hiperinflação da República de Weimar, o ódio nacionalista que se tornava histeria coletiva, o medo que abria alas para o monstro. Fromm olhou para os dois livros e fez uma pergunta que nenhum de seus contemporâneos ousara formular com tanta clareza: o que adianta entender o inconsciente individual se ignoramos a loucura da sociedade? E o que adianta criticar a economia se ignoramos a estrutura psíquica que torna as pessoas dóceis à opressão?


Esta pergunta — ao mesmo tempo clínica e política, psicológica e sociológica — foi o fio condutor de toda a obra de Erich Fromm (1900–1980), um dos pensadores mais lidos e, paradoxalmente, mais subestimados do século XX. Discípulo heterodoxo de Freud, membro dissidente da Escola de Frankfurt, socialista humanista e psicanalista da alma coletiva, Fromm construiu uma ponte onde muitos só viam abismo: a ponte entre o inconsciente pulsional e a estrutura de classes, entre o divã e a praça pública, entre a angústia existencial e o modo de produção capitalista.


A tese central deste artigo — escrito a partir da minha experiência integrando neuropsicanálise, Terapia Cognitivo-Comportamental e Educação Social — é que Erich Fromm não apenas antecipou em décadas os debates contemporâneos sobre saúde mental e sociedade, mas ofereceu um arcabouço teórico e técnico cuja urgência só aumentou com o tempo. Seu conceito de caráter social explica por que pessoas em diferentes classes sociais desenvolvem personalidades distintas que, paradoxalmente, as tornam dóceis à própria exploração. Sua teoria dos mecanismos de fuga da liberdade — autoritarismo, destrutividade e conformismo automático — é o mais poderoso instrumento analítico para compreender o bolsonarismo, o trumpismo e todas as formas de extremismo contemporâneo. Sua distinção entre o modo de existência do "ter" e o modo de existência do "ser" é uma crítica antecipada — e ainda não superada — à sociedade de consumo, à cultura do influencer e à redução do valor humano ao que ele possui e exibe.


Dialogaremos com Freud, Marx, Adorno, Marcuse, Reich, Horney, Maslow, Frankl, Lacan, Arendt, Bauman, Han e a neurociência social contemporânea. Investigaremos suas principais obras — O Medo à Liberdade (1941), Psicanálise da Sociedade Contemporânea (1955), A Arte de Amar (1956), Anatomia da Destrutividade Humana (1973) e Ter ou Ser? (1976) —, extraindo delas não apenas conceitos, mas um método clínico ainda subutilizado. E, sobretudo, responderemos à pergunta que ecoa em cada consultório onde um paciente chega com depressão, ansiedade ou vazio existencial: por que, tendo tanto, nos sentimos tão vazios? E o que a psicoterapia pode fazer que vá além do alívio sintomático e alcance a transformação existencial?


Parte I: O Contexto — O Homem que Viveu o Colapso da Razão


1.1 Das escrituras talmúdicas à psicanálise: a formação de um heterodoxo


Erich Seligmann Fromm nasceu em Frankfurt em 23 de março de 1900, em uma família judia ortodoxa da qual se originaram diversos rabinos. Ele próprio cogitou seguir esse caminho, estudando o Talmude com o rabino Rabinkow até meados dos anos 1920. Essa formação religiosa precoce deixou marcas duradouras em seu pensamento: a preocupação com a dimensão ética da existência, a sensibilidade para o sofrimento humano como questão coletiva e a crença na possibilidade de uma "sociedade sã" — conceito que ecoa, secularizado, a esperança messiânica de um mundo redimido.


A Primeira Guerra Mundial foi o divisor de águas em sua vida. Fromm tinha 14 anos quando o conflito eclodiu. Anos depois, já sexagenário, ele afirmaria que a Grande Guerra "foi o evento que determinou seu desenvolvimento intelectual mais do que qualquer outra coisa". O choque foi duplo: primeiro, a irracionalidade em massa — como milhões de europeus podiam se odiar e se matar com tanto fervor? Segundo, a nudez do ódio nacionalista — como os britânicos haviam "de repente se tornado maus e inescrupulosos" aos olhos dos alemães, e vice-versa?


Essas perguntas empurraram Fromm na direção do estudo da psicologia e da psicanálise de Freud. Mas, diferentemente dos psicanalistas que viam na psique um drama essencialmente individual e atemporal, Fromm nunca perdeu de vista o contexto histórico e social. A ascensão do nazismo — que o forçou ao exílio primeiro em Genebra, depois na Colômbia (EUA) e finalmente no México — selou seu compromisso com uma psicologia social crítica.


1.2 O projeto impossível: casar Marx com Freud


A tentativa de integrar Marx e Freud foi a marca registrada de Fromm — e também sua maldição acadêmica. A psicanálise ortodoxa (lacaniana, depois) o acusava de "diluir" o inconsciente em sociologia. O marxismo científico (althusseriano, depois) o acusava de "psicologizar" a luta de classes. A sociologia acadêmica americana, cada vez mais quantitativa e empírica, considerava seu trabalho "especulativo demais".


Fromm, no entanto, nunca se incomodou com esses rótulos. Sua lealdade era à compreensão do sofrimento real, não às fronteiras disciplinares. Em obras como O Medo à Liberdade (1941), ele demonstrou como a modernidade capitalista, ao romper os laços feudais, libertou o indivíduo — mas o jogou em um abismo de isolamento, impotência e ansiedade. E foi precisamente essa ansiedade que abriu caminho para os mecanismos de fuga que tornaram possível o fascismo.


Como resumiu um analista contemporâneo, Fromm analisou essas figuras políticas "descrevendo o 'narcisismo' das figuras autoritárias, bem como os efeitos alienantes do individualismo moderno que podem levar as pessoas a apoiar tais figuras".


Parte II: O Núcleo Teórico — O Que Fromm Nos Deixou


2.1 Da pulsão à relação: a virada sociológica da psicanálise


Fromm rompeu com Freud em um ponto fundamental. Enquanto Freud via a personalidade moldada principalmente por pulsões biológicas (libido e instinto de morte), Fromm argumentava que o caráter é essencialmente moldado pelas experiências das pessoas, especialmente na infância, mas também pelas estruturas sociais e econômicas.


Sua resposta não era um biológico abstrato, mas sim uma estrutura adaptativa sociobiológica: o ser humano substituiu o sistema instintivo dos animais por um sistema de caráter que é, simultaneamente, produto da sociedade e mecanismo de adaptação a ela.

Fromm propôs uma distinção fundamental entre:

  • Temperamento: a maneira de reagir, constitucional e imutável. A diferença de temperamento, alertou Fromm, já foi usada para justificar o extermínio de pessoas e povos "cujos temperamentos predominantes divergiam daqueles que eram considerados adequados".

  • Caráter: a estrutura de valores, atitudes e comportamentos formada pelas experiências (especialmente infantis) e modificável por novas experiências.


O caráter social, seu conceito mais original, é "o denominador comum entre as características intrínsecas ao indivíduo e sua cultura". O indivíduo adquire o caráter que o fará querer fazer aquilo que tem de fazer na sociedade em que vive. O caráter social é, portanto, o mecanismo pelo qual a dominação se torna invisível: a pessoa não age por medo de punição, mas porque internalizou os valores que servem à estrutura de poder.


2.2 As orientações de caráter: produtivas e improdutivas


Fromm agrupou as orientações de caráter social em dois grandes grupos: produtivas e improdutivas. O caráter de um indivíduo concreto é sempre uma mistura dessas orientações, com a predominância de uma determinada pela cultura em que vive.


As orientações improdutivas (ou não produtivas):

  1. Orientação receptiva — A pessoa acredita que a fonte de todo bem está fora de si. "Acha que não pode fazer nada sem ajuda e, por isso, espera que tudo seja feito pelos outros, diminuindo a participação da própria atividade." É o caráter do dependente, do passivo, do que espera ser salvo.

  2. Orientação exploradora — Também crê que a fonte do bem está fora, mas, diferentemente do receptivo, não espera receber: toma, extrai, se apropria pela força ou pela astúcia. É o caráter do predador, do aproveitador, do que transforma o outro em objeto de seu proveito.

  3. Orientação acumuladora (ou "hoarding") — Busca possuir e guardar. O valor está no que se tem, não no que se é. O medo da perda é a emoção dominante. É o caráter do avarento, do burocrata, do colecionador de títulos e bens.

  4. Orientação mercantil (ou "marketing") — A pessoa se experimenta como uma mercadoria. Seu valor é determinado pelo "mercado" — a aceitação social, a beleza, o sucesso mensurável. "O que eu sou" importa menos do que "o que eu pareço ser" e "o quanto valho no mercado". Fromm escreveu isso nos anos 1940; descreveu, sem saber, a cultura do Instagram e do LinkedIn.


A orientação produtiva


A orientação produtiva é a única saudável. O indivíduo produtivo desenvolve as forças intrínsecas da psique humana — amor, razão, trabalho criativo. Ele produz e forma sua própria vida em vez de apenas consumir ou acumular. Fromm chamou essa tendência primária de biofilia — o amor à vida, caracterizado pela tendência ao crescimento, à razão, ao amor produtivo e às realizações.


O caráter produtivo é o objetivo da psicanálise humanista. Não se trata de eliminar os traços improdutivos — impossível — mas de integrá-los a uma estrutura onde a produtividade seja dominante.


2.3 As contradições existenciais e as necessidades humanas


Fromm identificou cinco necessidades existenciais que todo ser humano precisa satisfazer, independentemente da cultura ou época. A forma como cada sociedade permite (ou bloqueia) sua satisfação determina a saúde mental coletiva:

  1. Necessidade de relacionamento — superar a separação do outro através do amor, da amizade, do pertencimento.

  2. Necessidade de transcendência — superar a passividade da condição criatural através da criatividade, da criação, da capacidade de "deixar algo para trás".

  3. Necessidade de enraizamento — sentir-se parte de algo estável, ter raízes, pertencer a um lugar e a uma história.

  4. Necessidade de identidade — saber quem se é, ter um senso de self coerente.

  5. Necessidade de orientação e devoção — ter um quadro de referência que dê sentido ao mundo e à vida, frequentemente fornecido pela religião ou por ideologias.


Quando essas necessidades são frustradas, o indivíduo adoece. Mas Fromm foi além: as sociedades também podem adoecer, impondo formas de satisfação patológicas (como o consumo, o nacionalismo, o fanatismo) no lugar das saudáveis (como o amor produtivo, o trabalho criativo e a participação democrática).


2.4 O Medo à Liberdade: os mecanismos de fuga


Em O Medo à Liberdade (título original: Escape from Freedom), Fromm formulou seu argumento mais influente. A modernidade libertou o indivíduo dos grilhões feudais — mas essa liberdade veio acompanhada de isolamento, insignificância e impotência. Incapaz de suportar o peso de ser livre, o indivíduo busca escapar da liberdade através de três mecanismos:

  1. Autoritarismo — A tendência a fundir o próprio self a um poder externo (um líder, um partido, uma ideologia) para obter segurança. Fromm distinguiu entre masoquismo (a vontade de se submeter) e sadismo (a vontade de dominar os outros). Ambos são faces da mesma moeda: a incapacidade de suportar a solidão da liberdade.

  2. Destrutividade — Quando não se pode transformar o mundo, destrói-se o mundo. A destrutividade é uma fuga da liberdade pela aniquilação do objeto que causa a ansiedade. Fromm dedicaria Anatomia da Destrutividade Humana (1973) a este mecanismo, distinguindo entre agressão defensiva (natural) e agressão maligna (culturalmente induzida).

  3. Conformismo automático — O indivíduo se torna o que os outros esperam que ele seja. Perde a individualidade não pela submissão a um líder, mas pela absorção total nas normas do grupo. A opinião alheia substitui a convicção própria. O indivíduo não está mais sozinho porque não é mais ninguém.


Estes mecanismos explicam, segundo Fromm, a adesão das massas ao nazismo e ao fascismo. E, como veremos, explicam também a adesão aos líderes populistas autoritários do século XXI, bem como a "cultura do cancelamento" e a dependência digital de influenciadores.


2.5 Ter ou Ser? Os dois modos de existência


Em Ter ou Ser? (1976), seu último grande livro, Fromm propôs uma distinção radical entre dois modos de existência:

  • Modo do "ter" — orientado para a posse, o consumo, a acumulação. A pessoa é o que tem. A identidade se reduz ao patrimônio (material, cultural, simbólico). A frase "eu tenho um carro" substitui "eu vou a algum lugar". A posse substitui a ação. Fromm argumentou que a base para o modo "ter" de existência é uma sociedade aquisitiva que repousa no lucro e no poder.

  • Modo do "ser" — orientado para a experiência, a atividade, o relacionamento. A pessoa é o que vivencia, cria, ama. "Um exemplo simples do modo de existência ser ou estar... ninguém tem ou deseja ter algo, mas é alegre, emprega produtivamente suas faculdades." O modo "ser" não aboliu a posse — seria impossível — mas subordinou o ter ao ser: as coisas são meios, não fins.


A sociedade capitalista contemporânea, Fromm argumentou, patologiza o modo "ser" e recompensa o modo "ter". A publicidade, o crédito fácil, o status social ligado à aparência e ao consumo — tudo converte o ser em ter. E o preço dessa conversão é a insaciabilidade crônica: o indivíduo que "tem" nunca tem o suficiente, porque o vazio está no ser, não no ter.


Parte III: A Técnica Psicanalítica de Fromm — A Clínica como Encontro Existencial


3.1 O analista como ser humano: a recusa da neutralidade fria


Ao contrário da psicanálise ortodoxa, que exigia que o analista permanecesse uma "tela em branco", Fromm defendeu uma relação terapêutica mais humana e horizontal. O analista deve ser, para si mesmo, seu paciente mais próximo. "Pode analisar o paciente porque se analisa a si mesmo e se faz analisar pelo paciente em sua percepção das contratransferências."


Essa postura ecoa — e em certos aspectos antecipa — o que Ferenczi chamou de "análise mútua". Não se trata de abolir o setting ou confundir papéis, mas de abandonar a falsa assimetria onde o terapeuta é um sujeito suposto saber que não pode ser questionado.


2.2 Do sintoma ao caráter: o foco na personalidade total


Fromm deslocou o foco clínico do sintoma isolado para a estrutura de caráter total. Isso significa que:

  • A depressão não é tratada apenas reduzindo pensamentos negativos, mas compreendendo a orientção de caráter que a sustenta (receptiva: "preciso de alguém que me salve"; mercantil: "não valho nada se não tiver sucesso").

  • A ansiedade não é apenas um excesso de ativação autonômica, mas uma expressão da incapacidade de suportar a liberdade — e, portanto, um convite ao mecanismo de fuga.


3.3 O setting como espaço de conscientização


Fromm concebia o processo analítico como um processo de conscientização (Bewusstwerdung): trazer à luz não apenas o recalcado individual, mas as determinações sociais que moldaram o caráter. Um paciente que se sente "fracassado" por não ter acumulado bens suficientes, por exemplo, não está apenas sofrendo de uma crença disfuncional — está sofrendo da internalização do modo "ter" como medida de valor humano.


O papel do analista, nesse contexto, não é apenas interpretar, mas nomear as contradições: "Você se sente um fracasso porque não tem o carro X. Mas de onde veio essa equação entre ter um carro e valer como pessoa? Quem se beneficia com você acreditando nisso?"


Parte IV: Fromm e os Outros — Comparações Necessárias


4.1 Fromm e Freud: o abandono da libido


A ruptura entre Fromm e Freud foi irreversível. Enquanto Freud insistia na centralidade da libido (energia sexual) e no conflito edípico universal, Fromm argumentava que as pulsões são socialmente moldadas e que o caráter é produto da relação pessoa-mundo, não de uma biologia fixa.


Crítica que se faz a Fromm: ao abandonar a metapsicologia pulsional, ele teria perdido a especificidade do inconsciente — a dimensão irredutível, opaca, que não se reduz a produto social. Os lacanianos, em particular, criticam Fromm por ter "humanizado demais" a psicanálise, transformando-a em uma pedagogia do autoconhecimento em vez de uma clínica do real.


A seu favor, Fromm responderia: o inconsciente freudiano, por mais genial que seja, não explica por que em determinadas épocas históricas certas neuroses se tornam epidêmicas e outras desaparecem. A histeria do século XIX é diferente da depressão do século XXI — e isso não pode ser explicado apenas pela biologia.


4.2 Fromm e Horney: almas gêmeas


Karen Horney foi colega e amiga próxima de Fromm por muitos anos. Ambos compartilhavam o interesse pelo papel da cultura na personalidade e o abandono do determinismo biológico freudiano. Ambos foram expulsos ou marginalizados pela ortodoxia psicanalítica.


A diferença sutil: Horney enfatizava mais a ansiedade básica como resposta a ambientes familiares hostis; Fromm enfatizava mais a alienação social como produto do capitalismo. Hoje, tendemos a integrar ambas as perspectivas: a família é o primeiro filtro da sociedade; a sociedade é a família amplificada.


4.3 Fromm e Jung: o inconsciente coletivo e o caráter social


Jung e Fromm compartilham a percepção de que o indivíduo é moldado por forças que transcendem sua biografia pessoal. Para Jung, são os arquétipos do inconsciente coletivo; para Fromm, o caráter social — a internalização das exigências econômicas e culturais.


A diferença crucial: Jung é um essencialista (os arquétipos são inatos e atemporais); Fromm é um historicista (o caráter social é contingente, mutável, produto de relações de produção). Um junguiano explicaria o fascismo pelo arquétipo da Sombra projetada; um frommiano, pela estrutura do caráter autoritário gerado pelo capitalismo tardio.


4.4 Fromm e Maslow: o humanismo partilhado


Abraham Maslow, o criador da hierarquia das necessidades, reconhecia em Fromm um aliado. Ambos faziam parte da "terceira força" da psicologia — o humanismo — que se opunha tanto ao pessimismo freudiano quanto ao mecanicismo behaviorista.


A diferença de ênfase: Maslow focava no indivíduo e em seu potencial de autorrealização; Fromm focava na sociedade sã como condição para o florescimento individual. Um paciente pode estar no topo da pirâmide de Maslow (autorrealizado) em uma sociedade doente — e ainda assim estar profundamente alienado, argumentaria Fromm.


4.5 Fromm e Frankl: sentidos diferentes


Viktor Frankl, o fundador da logoterapia, também é um humanista. No entanto, sua ênfase está na vontade de sentido como motivação primária; Fromm enfatiza as necessidades existenciais (relacionamento, transcendência, enraizamento, identidade, orientação).


A diferença prática: Frankl pode dizer "o sentido da sua vida é X"; Fromm diria "a sociedade em que você vive bloqueia suas necessidades existenciais; vamos juntos descobrir como satisfazê-las apesar disso".


4.6 Fromm e Marcuse: o mesmo diagnóstico, soluções opostas


Herbert Marcuse, colega de Fromm na Escola de Frankfurt, compartilhava da crítica à sociedade unidimensional e à alienação capitalista. Ambos eram marxistas revisionistas. A divergência foi sobre a psicanálise: Marcuse defendia uma leitura mais ortodoxa de Freud (incluindo o instinto de morte), enquanto Fromm se afastava cada vez mais da metapsicologia pulsional.


A divergência prática: Marcuse via a repressão sexual como mecanismo central de dominação; Fromm, o caráter social como mecanismo mais amplo. Hoje, numa era de hipersexualização e consumo do corpo, a posição de Fromm parece mais atual: não falta sexo — falta amor produtivo.


4.7 Fromm e a neuropsicanálise: uma ponte possível?


A neuropsicanálise contemporânea (Damasio, Solms, Panksepp) confirma muitas intuições de Fromm. O sistema de necessidades existenciais frommiano pode ser correlacionado a sistemas motivacionais primários mapeados neurobiologicamente: o sistema de busca (nele, a necessidade de transcendência), o sistema de apego (necessidade de relacionamento), o sistema de medo (necessidade de orientação e devoção).


Por outro lado, a neuropsicanálise tende a ser mais individualista do que Fromm. Seu foco está no cérebro do indivíduo; o de Fromm, na interação entre personalidade e estrutura social. A integração possível: a neurociência dos sistemas motivacionais explica a arquitetura das necessidades; a teoria frommiana explica a direção que essas necessidades tomam sob diferentes regimes sociais.


Parte V: A Virada Clínica — Manejos e Técnicas Frommianos


5.1 A terapia como diagnóstico do caráter social


O primeiro passo da clínica frommiana é identificar a orientção de caráter predominante do paciente. Isso não é mera categorização; é o diagnóstico que orienta a intervenção:

  • Receptivo → intervenção focada em desenvolver autonomia, reduzir dependência, testar a crença "não posso fazer nada sozinho".

  • Explorador → intervenção focada em desenvolver reciprocidade, reduzir exploração, testar a crença "os outros são objetos para meu uso".

  • Acumulador → intervenção focada em desenvolver desapego, reduzir medo da perda, testar a crença "se eu não tiver, não serei".

  • Mercantil → intervenção focada em desenvolver identidade estável, reduzir dependência da validação externa, testar a crença "eu sou o que os outros pensam que eu sou".


5.2 Nomeando os mecanismos de fuga


O paciente ansioso ou deprimido muitas vezes não reconhece que está escapando da liberdade. A clínica frommiana ajuda a nomear:

  • "Você se sente aliviado quando entrega suas decisões ao seu cônjuge / chefe / terapeuta?" (autoritarismo-masoquismo)

  • "Você destrói relacionamentos quando eles se tornam íntimos demais?" (destrutividade)

  • "Você mudou suas opiniões, gostos e valores apenas para se encaixar?" (conformismo automático)


5.3 A passagem do "ter" ao "ser"


A mudança mais profunda que Fromm propõe é existencial: a transição do modo "ter" para o modo "ser". Na prática clínica, isso significa:

  • Substituir "o que eu tenho?" por "o que eu vivencio?"

  • Substituir "o que os outros pensam de mim?" por "o que eu penso de mim?"

  • Substituir "do que eu preciso para ser feliz?" por "o que me faz sentir vivo?"


Esta é uma reorientação de valores, não apenas de comportamentos. A TCC pode ajudar a reestruturar crenças, mas a transição do "ter" ao "ser" exige uma mudança de paradigma existencial que a própria TCC reconhece como sua fronteira.


5.4 A psicoterapia como educação política


Fromm não separava a clínica da política. Um paciente que sofre de ansiedade porque "não está ganhando o suficiente" pode estar internalizando um imperativo do capitalismo, não uma falha pessoal. A terapia, nesse caso, não deve apenas reduzir a ansiedade — deve nomear a contradição: "Você está se sentindo um fracasso porque mede seu valor pelo que você ganha. De onde veio essa régua? Quem se beneficia com você acreditando nela?"


Isso não significa transformar a terapia em panfleto político. Significa reconhecer que o sofrimento psíquico tem determinantes sociais e que a conscientização desses determinantes é, ela mesma, terapêutica.


Parte VI: Fromm no Século XXI — O Que Sua Obra Pode nos Ensinar Hoje


6.1 O ressurgimento do autoritarismo: Fromm explica Trump, Bolsonaro e Orbán


A ascensão do populismo autoritário em todo o mundo — Donald Trump nos EUA, Jair Bolsonaro no Brasil, Viktor Orbán na Hungria — foi um teste empírico das teses de Fromm. E Fromm passou no teste. O sociólogo Neil McLaughlin argumenta que "o trabalho de Fromm oferece insights essenciais sobre o autoritarismo" e que os paradigmas dominantes das ciências sociais estão em crise "porque não previram e têm dificuldade de explicar a eleição de Donald Trump, o Brexit e o crescimento global do nacionalismo extremista".


A pergunta retórica de McLaughlin é devastadora: "Depois de Donald Trump, é realmente possível argumentar que precisamos olhar para a política exclusivamente por meio de teorias de escolha racional e ignorar a importância do caráter e da personalidade individual?"


Fromm explicaria o fenômeno Trump assim:

  • Frustração das necessidades existenciais → desenraizamento, perda de identidade, falta de orientação.

  • Medo da liberdade → incapacidade de suportar a complexidade e a incerteza.

  • Mecanismo de fuga autoritário → submissão a um líder que promete ordem, proteção e restauração de um passado mítico.

  • Caráter autoritário → sádico (dominação dos "inimigos") e masoquista (submissão ao líder).


Fromm escreveu isso em 1941, analisando o nazismo. Ele descreveu, sem saber, o bolsonarismo e o trumpismo.


6.2 A cultura do cancelamento: conformismo automático em escala digital


O fenômeno do cancelamento — a exclusão pública e sumária de alguém que violou uma norma grupal — é, para Fromm, uma manifestação do conformismo automático em sua forma mais virulenta. O indivíduo não cancela por convicção própria; cancela porque todo mundo está cancelando. A opinião alheia não apenas influencia — substitui a convicção.


A diferença histórica: no século XX, o conformismo automático se manifestava no medo de "sair da linha" em uma comunidade pequena, no trabalho ou no bairro. No século XXI, as redes sociais amplificam a punição (a exclusão é visível, pública, com potencial viral) e aceleram o contágio (o cancelamento se espalha em horas).


6.3 Influenciadores e gurus digitais: a fuga da liberdade contemporânea


A busca por influenciadores e gurus digitais — pessoas que nos dizem o que vestir, o que comprar, o que pensar, como viver — é, na leitura frommiana, uma fuga da liberdade contemporânea. Como argumenta um ensaio recente, "a liberdade, embora desejável, pode ser assustadora. Tomar decisões implica enfrentar a incerteza, a possibilidade de erros e a angústia que acompanha a responsabilidade".


Quando uma pessoa escolhe seguir cegamente um influenciador, ela transfere o peso da decisão para outra pessoa. "É como se, ao confiar no julgamento alheio, o indivíduo pudesse se livrar do desconforto de pensar e decidir por si mesmo."

Fromm chamou isso de fuga da liberdade: delegar a responsabilidade pela própria vida a uma figura de autoridade em troca de uma falsa sensação de segurança.


6.4 A epidemia de solidão e vazio: necessidades existenciais frustradas


Vivemos em sociedades hiperconectadas e profundamente solitárias. Fromm explicaria a aparente contradição:

  • Conectividade digital não é relacionamento. O "ter" muitos amigos no Facebook não satisfaz a necessidade existencial de relacionamento — porque esta exige vulnerabilidade, presença, tempo, intimidade.

  • O consumo frenético não é transcendência. Comprar um novo celular não deixa uma marca no mundo; é um ato de consumo, não de criação.

  • A mobilidade constante não é enraizamento. Mudar de cidade a cada dois anos, de emprego a cada ano, de relacionamento a cada seis meses — isso é o oposto do enraizamento que Fromm identificou como necessidade.


A síndrome do vazio existencial — sentimento de que "falta algo" que não se sabe nomear — é, para Fromm, o diagnóstico da sociedade contemporânea: uma sociedade que frustra sistematicamente as necessidades existenciais enquanto oferece substitutos patológicos (consumo, entretenimento, gratificação instantânea) que não curam, apenas anestesiam.


6.5 A "patologia da normalidade": Fromm e a crítica à adaptação


Em um artigo recente publicado na SciELO, o pesquisador F. Maciel retomou o conceito frommiano de "patologia da normalidade". A tese é perturbadora: pode ser mais doentio ser "normal" (bem-adaptado) em uma sociedade doente do que ser "anormal" (desadaptado).


O paciente que se sente ansioso por não conseguir "se encaixar" pode estar, na verdade, mais saudável do que aqueles que se adaptaram perfeitamente à alienação. A ansiedade, nesse contexto, não é sintoma de doença, mas sinal de saúde — o grito de protesto de uma parte da psique que recusa ser aniquilada.


Parte VII: Críticas e Limitações — Por Que Fromm Não É Suficiente


7.1 A fragilidade empírica e a falta de operacionalização


A maior crítica a Fromm, do ponto de vista das ciências empíricas, é a dificuldade de testar suas hipóteses. Conceitos como "caráter produtivo", "necrófilo" ou "amor" são operacionalizados com dificuldade. Onde há consenso para um estudo controlado sobre "modo 'ter' vs. modo 'ser'"?


A psicologia positiva de Martin Seligman tentou preencher essa lacuna: em vez do conceito amplo de "orientação produtiva", Seligman propôs forças de caráter mensuráveis e intervenções específicas. A crítica frommiana a Seligman seria: medir não é compreender; o que se perde na operacionalização é a dimensão crítica — a pergunta sobre por que a sociedade valoriza certas forças e não outras.


7.2 O otimismo ingênuo: a fé na "sociedade sã"


Fromm acreditava que a conscientização (das contradições sociais, dos mecanismos de fuga, da alienação) levaria naturalmente à transformação. O século XX mostrou o contrário: a conscientização não garante a ação. Pessoas podem saber que estão sendo exploradas e ainda assim se submeter; podem reconhecer o mecanismo de fuga e ainda assim fugir.


A psicanálise lacaniana oferece uma resposta: o sujeito se agarra ao seu sintoma porque o sintoma lhe dá gozo. Saber que o sintoma é um sintoma não o faz desaparecer. Fromm, nesse aspecto, foi talvez otimista demais sobre a força da razão contra o gozo.


7.3 A ausência de um conceito robusto de inconsciente


Ao abandonar a metapsicologia pulsional, Fromm perdeu a opacidade do inconsciente. Seu "inconsciente" é, em grande medida, o socialmente reprimido — aquilo que a sociedade não permite que se pense ou se sinta. Isso é importante, mas não é o mesmo que o inconsciente freudiano-lacaniano: o lugar do impossível, do trauma que não se inscreve, do gozo que não se simboliza.


O paciente que repete um padrão de escolha amorosa autodestrutiva não está apenas "reproduzindo um caráter social" — está preso em uma compulsão à repetição que Fromm não consegue explicar sem recorrer a uma pulsão.


Conclusão: Fromm entre a Revolução e o Divã


Erich Fromm não foi o psicanalista mais profundo (Freud), nem o mais sistemático (Lacan), nem o mais empiricamente rigoroso (Seligman). Mas foi, talvez, o psicanalista mais corajoso — o que ousou perguntar o que a psicanálise, em sua autoindulgência teórica, preferia ignorar: por que os homens amam a opressão? Por que lutam contra sua própria liberdade? Por que, tendo tudo para serem felizes, escolhem a servidão?


Fromm nos legou um instrumento de análise insubstituível: a percepção de que o sofrimento psíquico não é apenas individual, mas socialmente produzido; de que a cura não pode ser apenas individual, mas deve mirar também a transformação das estruturas que geram o sofrimento; de que o amor, a criatividade e a liberdade não são luxos, mas necessidades existenciais cuja frustração adoece tanto quanto a fome ou a sede.


Sua obra é datada, é certo. O capitalismo do século XXI não é exatamente o capitalismo do pós-guerra. O fascismo contemporâneo não é idêntico ao nazismo. As tecnologias de fuga da liberdade — a dopamina dos likes, o fluxo infinito do feed, o algoritmo que nos diz o que queremos — não estavam em seu horizonte. Mas a estrutura que Fromm descreveu permanece: uma sociedade que promete liberdade e entrega isolamento; que oferece prazer e nega alegria; que multiplica os meios de vida e empobrece a própria vida.


A pergunta que Fromm nos lega, sentado entre Marx e Freud, é a mesma que ecoa em cada consultório onde um paciente chega e diz: "Doutor, tenho tudo. Por que me sinto vazio?"


Porque ter não é ser. Porque você foi educado para acumular, não para viver. Porque a sociedade que lhe disse que a felicidade está na próxima compra, no próximo like, no próximo relacionamento, na próxima conquista — essa sociedade mente.

E a psicoterapia, quando é honesta, não pode ignorar essa mentira.


Mensagem Final do Dr. Adilson Reichert


Ao longo do tempo na clínica, atendi executivos bem-sucedidos que colecionavam carros e casas, mas não conseguiam dormir. Adolescentes com milhares de seguidores, mas nenhum amigo verdadeiro. Aposentados que, após décadas de trabalho, descobriram que não sabiam o que fazer com a liberdade — e a temiam tanto que preferiam adoecer.


Todos eles me falavam, cada um à sua maneira, a mesma coisa que Fromm escreveu em 1941: "Algo está errado. Eu tenho tudo. Mas eu não sou nada."

Como Neuropsicanalista, aprendi que o cérebro humano não evoluiu para o consumo infinito. Evoluiu para o vinculo, para a criação, para o sentido. Quando a sociedade frustra essas necessidades, o cérebro adoece — e adoece de formas que nenhum psicofármaco pode curar.


Como Terapeuta Cognitivo-Comportamental, ofereço ferramentas para reestruturar crenças. Mas a TCC, sozinha, não responde a Fromm. De que adianta reestruturar a crença "sou um fracasso" se a sociedade continuar medindo o valor humano pela conta bancária? É preciso ir além.


Como Educador Social, sonho com escolas que ensinem não apenas a competir, mas a cooperar; não apenas a acumular, mas a criar; não apenas a consumir, mas a se relacionar. Sonho com uma sociedade onde o modo "ser" seja possível — onde o valor de uma pessoa não seja reduzido ao que ela tem, mas celebrado pelo que ela é.


Na NeuroPsiOnline, acreditamos que a mudança é possível. Que o caráter produtivo pode ser cultivado. Que os mecanismos de fuga podem ser reconhecidos e superados. Que a passagem do "ter" ao "ser" é a travessia mais difícil — e mais recompensadora — da existência humana.


Se você se reconhece nessa descrição — se o vazio o assombra, se o medo da liberdade o paralisa, se a voz do "ter" sufoca o seu "ser" — saiba que não precisa fazer essa travessia sozinho.


A psicoterapia biopsicossocial que praticamos na NeuroPsiOnline é profundamente frommiana. Não porque veneramos um autor, mas porque reconhecemos que a cura individual e a cura social são duas faces da mesma moeda. E que o primeiro passo para uma sociedade sã é um indivíduo que ousa ser — que ousa trocar o ter pelo ser, o consumo pela criação, a conformidade pela liberdade.


Um abraço,


Dr. Adilson Reichert

Neuropsicanalista Clínico, Terapeuta Cognitivo-Comportamental e Educador Social


NeuroPsiOnline. Onde a mudança acontece.


(CTA - Call to Action)


Sente que o vazio existencial tem sido seu companheiro constante? Que o sucesso material não preencheu o buraco que você sente? Que a liberdade, em vez de alegria, lhe trouxe angústia?


Sua saúde mental pode estar pagando o preço de uma sociedade que valoriza o "ter" e ignora o "ser". Entre em contato conosco e descubra como a psicoterapia integrada — que une a profundidade da psicanálise, a precisão da TCC e a crítica social de Fromm — pode ajudá-lo a fazer a travessia do ter ao ser.


Se os mecanismos de fuga — autoritarismo, conformismo, destrutividade — têm governado suas escolhas, se você se pega repetindo padrões que não entende, se o medo da liberdade o impede de viver a vida que deseja — é hora de agir.


Agende uma consulta inicial online. Dê o primeiro passo para uma vida orientada pelo "ser". Clique aqui para agendar sua sessão.

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Referências

FROMM, E. O Medo à Liberdade (Escape from Freedom). Rio de Janeiro: Zahar, 1941/1980.

FROMM, E. Psicanálise da Sociedade Contemporânea (The Sane Society). Rio de Janeiro: Zahar, 1955.

FROMM, E. A Arte de Amar. São Paulo: Martins Fontes, 1956.

FROMM, E. Anatomia da Destrutividade Humana. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.

FROMM, E. Ter ou Ser? Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

FROMM, E. Análise do Homem. São Paulo: Zahar, 1947.

DURKIN, K. "Erich Fromm e a Psicologia de Massas do Fascismo". Jacobin Brasil, 2021.

MACIEL, F. "A Patologia da Normalidade: Erich Fromm e a Crítica da Cultura do Capitalismo Contemporâneo". SciELO, 2020.

MCLAUGHLIN, N. "Lessons on Contemporary Politics from Erich Fromm's 'Psychosocial' Perspective". Journal of Psychosocial Studies, 2020.

RODRIGUES, F. et al. "Caráter Positivo: A Integração das Orientações Produtivas e Forças de Caráter de Fromm". Revista Tópicos, 2026.

SILVA, F. L. H. et al. "As Perspectivas de Viktor Frankl e Erich Fromm sobre o Amor e a Humanidade". Research, Society and Development, v. 10, n. 10, 2021.

ROMANETTO, M. C. Clínica e Política: Bases Subjetivas da Transformação Social em Erich Fromm. Tese de Mestrado, USP, 2021.

INSTITUTO SUASSUNA. "Influenciadores Digitais e Nosso Vazio: Por Que Entregamos Nossa Felicidade a Influenciadores?", 2025.

BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

ARENDT, H. Origens do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

MARCUSE, H. Eros e Civilização. Rio de Janeiro: Zahar, 1969.


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