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"Este Remédio Me Faz Mal": Como Virar o Jogo no Seu Tratamento e Ser Ouvido pelo Médico

Meta Title: Conflito com Medicamentos: Uma Análise Neuropsicanalítica e Ética | NeuroPsi Online

Meta Description: Paciente relata conflito com médicos e efeitos colaterais de psicofármacos. Dr. Adilson Reichert analisa este dilema e oferece uma perspectiva ética para melhorar a relação terapêutica.


Ouça o Podcast logo abaixo:

"Doutor, este remédio me faz mal": Uma Análise do Conflito entre Paciente, Médico e a Medicação


Um relato sincero de um paciente ecoa uma experiência comum a muitos que buscam ajuda na saúde mental:


"Você poderia falar sobre uma coisa.. Na questão dos médicos e as medicações.. Eu noto que cada médico indica um medicamento para os transtornos, e que alguns, apesar da gente falar que o medicamento nos faz mal, eles insistem para que usemos, aí temos que procurar outros médicos, e as vezes até pedir a medicação que já experimentamos e nos fazem bem. O que faz nesses casos? Existem muitos médicos e cada um age de forma diferente, e muitas pessoas apenas tomam os medicamentos sem se questionar sobre aquilo, os efeitos colaterais e outras questões. As vezes temos que ir tentando vários profissionais até achar um que dê certo para nós. Teve um médico que acertou um medicamento, mas errou em outro."
"Este Remédio Me Faz Mal": Como Virar o Jogo no Seu Tratamento e Ser Ouvido pelo Médico

Este depoimento é um prisma que reflete diversas facetas de um sistema complexo: a subjetividade do sofrimento, a ciência da farmacologia, a relação humano-profissional e a busca por autonomia. Como Neuropsicanalista Clínico, Terapeuta Cognitivo-Comportamental e Educador Social, vejo neste relato não apenas uma queixa, mas um convite para uma reflexão profunda e ética.


A Neuropsicanálise Entendendo o Conflito: Cérebro, Inconsciente e a Subjetividade da Experiência


A Neuropsicanálise nos permite integrar a dimensão biológica do cérebro com a dimensão psíquica e subjetiva da mente. O conflito relatado não é apenas sobre moléculas e sinapses; é sobre significado e agência.


1. O Inconsciente e a Perda de Controle: Quando um paciente diz "o remédio me faz mal", ele está relatando uma experiência subjetiva onde seu corpo e sua mente sentem-se invadidos por uma força externa. Do ponto de vista psicanalítico, isso pode reativar conflitos inconscientes relacionados à perda de controle, à passividade e à dependência. A insistência do médico, sem uma escuta atenta, pode ser experimentada como uma violência simbólica, um "saber superior" que ignora o saber do próprio corpo do paciente.

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2. A Neurobiologia da Experiência Subjetiva: Cada cérebro é único. Fatores genéticos, epigenéticos e históricos de vida fazem com que dois indivíduos com o mesmo diagnóstico respondam de maneira radicalmente diferente à mesma medicação. O relato "teve um médico que acertou um medicamento, mas errou em outro" é a prova viva desta neurodiversidade. A Neuropsicanálise lembra-nos que a medicação atua em um cérebro que é, ele mesmo, a materialização de uma história de vida única. Ignorar isso é tratar uma doença, não a pessoa.


A Perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Crenças, Comportamentos e a Relação Terapêutica


A TCC nos oferece uma lente pragmática para entender os pensamentos e comportamentos que perpetuam este conflito.


1. Crenças Disfuncionais em Jogo: O relato do paciente revela crenças que podem ser trabalhadas em terapia:

     "Os médicos são autoritários e não me ouvem." (Generalização)

     "Tenho que passar por vários profissionais até dar sorte." (Desesperança aprendida)

     "Ou o médico acerta tudo, ou ele errou completamente." (Pensamento dicotômico)

    Por outro lado, a postura de alguns médicos pode ser pautada por crenças como: "Eu sei o que é melhor para o paciente" ou "O protocolo X é o mais eficaz, então devo segui-lo", minimizando a experiência relatada.

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2. Falha na Psicoeducação: Muitos conflitos nascem de uma psicoeducação insuficiente. O paciente não é devidamente informado sobre:

  • A Lógica da Tentativa e Erro: A psiquiatria não é uma ciência exata. Encontrar a medicação e a dosagem corretas é, frequentemente, um processo de ajuste fino.

  • A Diferença entre Efeitos Colaterais Temporários e Intoleráveis: Muitos efeitos colaterais passam após algumas semanas, enquanto outros são sinais de que a medicação não é adequada. O paciente precisa ser empoderado para diferenciar e reportar isso.

  • Os Objetivos Reais da Medicação: A medicação não é uma "cura", mas uma ferramenta para estabilizar o organismo, criando as condições neuroquímicas necessárias para que a psicoterapia e as mudanças de vida possam florescer.


A Educação Social como Ferramenta de Empoderamento e Ética


Como Educador Social, vejo a necessidade urgente de promover a alfabetização em saúde mental e o protagonismo do paciente.


O paciente questiona: "O que faz nesses casos?". Eis o cerne da questão. A solução não está na submissão cega ou na revolta, mas na construção de uma aliança terapêutica sólida e ética.

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Sugestões Éticas para uma Melhora Relacional: Para Pacientes e Profissionais


Para os Pacientes (Empoderamento Ativo):


1. Seja o Especialista da Sua Própria Experiência: Seu relato sobre o que sente é a informação mais valiosa. Mantenha um "diário de bordo" dos efeitos (benéficos e colaterais) de cada medicação, com datas e intensidades.

2. Prepare-se para as Consultas: Leve suas anotações e questões específicas. Em vez de dizer apenas "estou mal", seja específico: "O remédio Y me deu uma insônia que não tinha antes" ou "Sinto que minha criatividade sumiu".

3. Exija Diálogo, Não Imposição: Você tem o direito de entender o "porquê" de cada prescrição. Pergunte: "Qual é o objetivo desta medicação?", "Quais são os efeitos colaterais mais comuns e o que fazer se eles aparecerem?", "Existem alternativas?".

4. Veja a Si Mesmo como Parte da Equipe: Você não é um receptor passivo de tratamento. Você é um agente ativo. A medicação é uma ferramenta, mas a mudança vem de você. A psicoterapia é o espaço para trabalhar as causas profundas e desenvolver estratégias de coping.

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Para os Profissionais de Saúde (Prática Ética e Colaborativa):


1. Pratique a Escuta Ativa e a Humildade Clínica: O relato de um efeito colateral não é uma crítica à sua competência, mas um dado clínico crucial. Validar a experiência do paciente ("Entendo que isso deve ser muito incômodo") é o primeiro passo para a confiança.

2. Explique a "Arte" por Trás da Ciência: Seja transparente sobre o processo de tentativa e erro. Isso maneja as expectativas do paciente e o inclui no processo decisório, transformando-o de sujeito passivo em colaborador.

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3. Adote um Modelo de Tomada de Decisão Compartilhada: Apresente opções, discuta prós e contras de cada uma, e chegue a uma decisão em conjunto com o paciente. Isso respeita sua autonomia e aumenta drasticamente a adesão ao tratamento.

4. Reconheça os Limites da Farmacologia e Valorize a Psicoterapia: Um médico que entende que a medicação é apenas uma parte do tratamento encorajará o paciente a buscar terapia. A combinação de medicação e psicoterapia (especialmente abordagens integrativas como a Neuropsicanálise e a TCC) é frequentemente a mais eficaz para resultados duradouros.

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Conclusão: Rumo a uma Aliança Terapêutica Verdadeira


O conflito com a medicação é, em sua essência, um conflito relacional. Ele sinaliza uma ruptura na aliança terapêutica, onde a confiança e a comunicação foram fragilizadas.


No NeuroPsi Online, acreditamos que a cura e o crescimento ocorrem na interseção entre o cuidado com o cérebro e a compreensão da mente. Através da Neuropsicanálise Clínica, ajudamos a decifrar os significados inconscientes do sofrimento. Com a Terapia Cognitivo-Comportamental, fornecemos ferramentas práticas para modificar pensamentos e comportamentos disfuncionais. E através da Educação Social, empoderamos você a ser o agente principal da sua própria história de saúde mental.

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Se você se identifica com o relato deste artigo, saiba que você não está sozinho e que existe um caminho. Um caminho de diálogo, de respeito mútuo e de colaboração, onde a sua voz é não apenas ouvida, mas é essencial.


A jornada é sua, mas você não precisa percorrê-la sozinho.


Dr. Adilson Reichert

Neuropsicanalista Clínico | Terapeuta Cognitivo-Comportamental | Educador Social



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